segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Língua
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixa os Portugais morrerem à míngua
"Minha pátria é minha língua"
Fala Mangueira! Fala!
Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?
Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas!
Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmen Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E - xeque-mate! - explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Lobo do lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em ã
De coisas como rã e ímã
Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé
e Maria da Fé
Flor de Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?
Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria
E quero frátria
Poesia concreta, prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap, chic-left com banana
( - Será que ele está no Pão de Açúcar?
- Tá craude brô
- Você e tu
- Lhe amo
- Qué queu te faço, nego?
- Bote ligero!
- Ma' de brinquinho, Ricardo!? Teu tio vai ficar desesperado!
- Ó Tavinho, põe esta camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho!
- I like to spend some time in Mozambique
- Arigatô, arigatô!)
Nós canto-falamos como quem inveja negros
Que sofrem horrores no Gueto do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixe que digam, que pensem, que falem
22/09/2003
* In Letra Só, selecção, organização e prefácio de Eucanaã Ferraz (edições Quasi, Lisboa), incluído no disco "Mundos no Mundo".
** Músico e letrista brasileiro. Nasceu em Santo Amaro da Purificação, Bahia, a 7 de Agosto de 1942. Da sua obra, destacam-se os discos: "Domingo" (1967), "Tropicália" (1969), "Barra 69 - Caetano e Gil ao vivo" (1969), "Caetano e Chico juntos ao vivo" (1972), "Circulado" (1991), "Noites do Norte" (2000), "Eu não peço desculpa" (2002), etc.
Ciberduvidas - 22/09/2003
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Iniciais
Ou MC cassete, o MC PRST
O "O" a seguir ao "T" , Serial olha o DAT
Com este instrumental a representar o PRT
MTS, Gaia pra fazer o grande G
Coalizão e todos os associados aos MDG
Reais e verdadeiros não como um filme do AMC
Ao vivo na CNN ao som da OST
Beat, leva as palavras como os STCP
VCI, autoestrada, IC, EN ou IP
Com autorização exclusiva da nossa DGV
Distribuido pela Valentim de Carvalho, a VC
PSP ____ MdG _____ mas não vê
Meus soldados deitariam tudo abaixo _____
Anarquia total, sou anti do PP ao PCP
Se não acreditas vê na SIC ou até na RTP
A dizer coisas destas vou ter à perna o NCS, CIA, KGB, FBI e as SS
Será que só assim darão crédito a este MC
Tão bom como os outros mas sem passar na MTV
Não arbitrei FCP mas esqueci a TVI
À um bocado disse que se pudesse contribuia para a AMI
Mind da Gap
A fechar o tasco
.... festa
Directamente do Porto
Mind da Gap
A fechar, de novo
Mais uma vez, pela 3ª
Mind da Gap, Mind da Gap
Fecha o tasco
Mind da Gap
Já sabias que o CIS, não fui eu que quis
Anda atrás de MC's, merda não fiz, rap fiz
______ FBI´s e PJ´s associados
No sistema dos nossos soldados afiliados
Querem nos ver calados como scuds não detonados
Coitados, com Q.I.'s destes nunca seremos derrotados
VNG, MTS, PRT, QQ
MDG, Coalizão ou __OB
Conserva o R E S P E I T O
Pra falar comigo põe antes o E X M O
Sou nocivo como a hepatite B ou C
Sou real MC, pa provar tenho mais que um CD
____ MU levas pró estudio
Cassetes pa amigos a passar na estação radio
______________________
______ como a gente quis com 400 JBL
Fiel ao 100% ____ um cheque de SPA
Metade pó THC, metade pó BPA
_________ não sei quantos BPM's
PRT pró assalto ao stéreo dos FM's
____________ é o Mánager
_____ GNR queima se o SS quiser
RSPP, ASP, pó modem do meu PC
Ou em carta plos CTT, FTP
Não, já sou mais campeão que o FCP
Reconhecido em ESP e NYC
Mais uma vez a fechar prá história
Mind da Gap
Toda a gente de mãos no ar
Mind da gap
Pela 3ª vez
Mind da Gap
Mais uma vez e para sempre
Mind da Gap
Ace, Presto e Serial
É a festa total no norte de Portugal
Fechem as portas e abram as janelas
Mind da Gap
Mind da Gap representa alegria a todo o local
Directamente do norte de Portugal
Mind da Gap
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
História
de Rebalbino Pires.
Honestíssimo vadio´,
Ancorado nas Portas de Santo Antão
Mas batendo a outras portos
e respeitador de todos os santos,
Navegando de mulher para mulher
- As filhas mais do que as mães-
E crucificado pela justiça e pela opinião
pública
[Como já tinha acontecido ao próprio Nosso Senhor]
Foi Rebalbino atleta
E ganhou a maratona
Com duas horas de avanço
...Tendo cortado a meta
Repimpado na ramona
E acusado de gamanço
Mentira, tudo mentira!
Se gamou os sapatos aos outros atletas.
foi para salvar o turismo de pé
descalço! [pá]
...tudo o mais é «boca», é bera,
é falso!
...Nunca apareceu às faces da terra.
--- Nem à face A nem à Face B ---
Gajo tão sério e pacholas
Amigo dos putos e delas
Ele era o chefe de fila
Pra muito puto reguila
Mestre melhor não havia
...Montou escola de sobrinhos
Ensinou-lhes os caminhos
Que vão às casas das tias
[Mentira, outra mentira.
O quê, Rebalbino Pires cavalheiro impec e aprumado desmoralizou a moral aos costumes a que se tinha acostumado.]
Quando andou no contrabando
Tinha um bando contratado
Contra Fé e contra guarda
Contra cima e contrabaixo
Contra-regra e contra mão
...Até que vem uma farda
Que o enfarda na prisão!
[Mentira, bruta injustiça.
Tudo contrabando. Nada a favor de bando. Sempre foi um sereno de um cidadão, cumpridor de leis e de mandamentos que mandassem inclusive de portarias municipais e de outras portarias que tais. Impostos em dia, facultativos, à noite, eh...! ah...!
Mas]
Numa noite de porrada
Na tasca do Vai-de-Lado
É que perdeu a cabeça
... Ao mandar a cabeçada
Num artolas encartado
Que foi parar à travessa
[Levou só quatro pontos porque era a Travessa do Cosido.
Mas é tudo mentira, pura invenção.
Vejam só o certificado do seu registo criminal, passado por ele sem ajudas de ninguém. Impecável! Bestiali!
Lá vem: o seu único crime foi falsificar o registo criminali.
Mas olha aí.]
Mais que permite a força humana
Tinha oitenta e uma amantes
...Umas vinte por semana
Sem vozes reclamantes!Tinha oitenta e uma amantes
Uma delas ciumenta.
Que veio a saber das oitenta
Soprou o pêlo da venta
Sacou a faca da liga
... e ele deu aos calcantes
Nunca foi homem de briga!
[Mentira, outra mentira. Rebalbino Pires, honrado português de lei, não anda à mão desarmante, nunca fugiu à polícia, nem sequer foge da chuva. Nem para lavar a reputação, que exige reparação.
Depois de tanta patranha.
Tanta mentira malvada.
Agora é que são elas.
E aqui está esta campanha devidamente orquestrada.
É assim mesmo!
E agora rapazes, para a frente.
Para a frente, o quê?
Para a frente com o resto, pá, em honra do gajo, pá.
OOOOOH IN MY NIGHT IN SOLIDÃO.
WELCOME TO MY NIGHT IN SOLIDÃO.
Rebalbino, senhores ouvintes, estivemos a ouvir a história de Rebalbino Pires, um exclusivo das frutas WELCOME.]
Letra de Mário Zambujal
Se Cá Nevasse - Salada de Frutas (1981)
http://fora-de-cena.blogs.sapo.pt/res/801644/stylesheet?1293406874
Novo Dicionário de Calão - Afonso Praça (2001)
domingo, 21 de agosto de 2011
10 Anos
Foi tempo de uma Flor sem tempo de Uma geração
Dia a dia A marcha da Vida
foi um Amor sem palavras, Chuvas de verão
diz-me Onde é que tu moras
diz-me o que fazes Depois do adeus
Um Encontro um Cantar de Amigos
Aplausos ou desprezo para o cantor
a cantiga é Quando um homem quizer
e Eu já sei deve ser Cantiga de amor
hoje canto com Quadras à solta
deito a Semente na Terra lavrada
dez anos
é muito tempo
muitos dias, muitas horas a cantar
dez anos
é muito tempo
deste tempo inteiro que eu vos quero dar
Em Lisboa menina e moça
do meu Canto de esperança nasceu a Nini
e agora eu Canto e sei porquê
é por isso que Gostava de vos ver aqui.
Março/1980
10 Anos - Paulo de Carvalho (1980)
sábado, 28 de maio de 2011
Mestre Alentejano
Terra de grandes barrigas,
Onde há tanta gente gorda,
Às sopas chamam açorda
E à açorda chamam-lhe migas;
Às razões chamam cantigas,
Milhaduras são gorjetas,
Maleitas dizem maletas,
Em vez de encostas, chapadas,
Em vez de açoites, nalgadas
E as bolotas são boletas.
Continua:
Terra mole é atasquêro,
Ir embora é abalári,
Deitar fora é aventári,
Fita de couro é apero;
Vaso com planta é cravêro,
Carpinteiro é abegão,
A choupana é cabanão
E às hortas chamam hortejos
Os cestos são cabanejos
E ao trigo chama-se pão.
No resto de Portugáli
Ninguém diz palavras tais;
As terras baixas são vais
Monte de feno é frascáli
Vestir bem parece máli
À aveia chamam cevada
Ao bofetão orelhada
Alcofa grande é gorpelha
Égua lazã é vermelha
Poldra “isabel” é melada.
Quando um tipo está doente
Logo dizem que está morto.
A todo o vau chamam porto
Chamam gajo a toda a gente
Vestir safões é corrente
Por acaso é por adrego,
Ao saco chamam talego
E, até nas classes mais ricas
Ser janota é ser maricas
Ser beirão é ser galego.
Os porcos medem-se às varas,
O peixe vende-se aos quilos
E a gente pasma de ouvi-los
Usar maneiras tão raras;
Chamam relvas às searas
Às vezes, não sei porquê
E tratam por vomecê
Pessoas a quem venero;
“não quero” dizem “na quero”
“eu não sei” dizem “ê nã sê”!
Letra de J. De Vasconcelos e Sá
Rosa Branca - António Pinto Basto (1989)
DITOS DO ALENTEJO OU MESTRE ALENTEJANO (II)
Assim já cantei um dia
Pois no Alentejo nasci
Ali amei e sofri
E ao meu povo eu entendia
Pastel de grão é azevia
Massa frita é brinhol
Piolho cata-se ao sol
À lenha chamam molheta
O zangado diz punheta
Sapateiro usa serol
A frigideira é sartém
Uma tigela plangana
Mulher de graça é magana
Falar mal é coisa vã
Cama de molas divã
E quem dança está balhando
Chover pouco é muginando
A gasosa é um pirulito
Qualquer cão é um canito
Chorar baixo é chomingando
Ao leite chamam-lhe lête
Um bacio é um penico
Um desmaio é um fanico
Um canteiro é alegrete
O soutien é um colete
Do pão dur(o) fazem-se migas
São saias quaisquer cantigas
Grão cozido é gravançada
Qualquer pessoa é coitada
E as amantes são amigas
Emprestar é repassar
Mentiroso é trapacêro
Amolador é um gatêro
Ir a mondar é escardar
Chatear é amolar
Do pobre diz-se infeliz
A igreja é uma matriz
Cafeteira é choclatêra
Coisa torta é pernêra
E é o povo que assim diz
Um barril é um porrão
E a garagem é cochêra
Chouriço preto é cacholêra
Preguiçoso é lazerão
Homem do campo é ganhão
Chama-se fosso a um val
Almofariz é um gral
Sopas frias é gaspacho
Viver bem é ter um tacho [segundo a autora era VIVE BEM QUEM VIVEU MAL]
E assim fala Portugal
Entre Amigos - José Gonçalez (2003)
Nota: a música é o Fado Corrido nas duas versões. A segunda canção tem a participação de António Pinto Basto que canta a primeira e é neto do autor da letra da primeira das canções.
retirado do blog Um Bolíndri na Tarrafa
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Pós Modernos

Depois da V2 DDT PBX
Ketchup K/7 Kleenex Kitchnet Duplex
Twist again colourfull wonderfull
Chegou o T2-T4 c/garagem pró P2 turbo sound disco sound discussão?
Video-Club joy stick midi high-tech squash & sauna
Compact D (compre aqui?)...
Ser Mãe era a aspiração natural de todo o homem moderno
ser o melhor é normal para os novos pobres deste colégio interno
ter medo é a pulsão fundamental do criador & artista
estar sóbrio é continuar permanecer positivista
---E dantes as máquinas estavam sempre a avariar....
Mas com uns pós modernos nada complicados
sentimo-nos realizados
Ah! Os pós modernos agarram a angústia
e fazem dela uma outra indústria
com os pós modernos nunca ganhamos
mas tambem nada investimos
Letra de Rui Reininho
Psicopátria - GNR (1986)
Depois da v2 dvd download upload internet
mp3 mpc e-mail b52 escolhe tu o teu coktail
Hip hop drums beats é o kit mãos livres pin é o puk
O telemovel o teu look é a clik e é a crew
é a punani o tsunami o tamagotchi o picachu
É o shopping é as trips o md e o songoku
Chegou o 1 2 1 2 com mensagem underground
Check sound disco sound mimi disc é o mic
É a Adidas é a Nike o Marlboro o Lucky Strike
É a Fanta é a Sprite a battle e fight
Nigga tite para todos os meus boys
Mcs djs writhers e b-boys
É a ja sempre cool wonderfull
É a globalização nova era informação
Atmosfera poluição é uma mera ilusão
Não fiques à espera que a televisão te abra a visão
Senão um dia vais ficar como os outros já estão
Com o comando em s a sentado no sofa
À espera voce está do programa que nunca dará
Jesus cristo era ateu e Deus era maná
O que será o que o seu filho faz a esta a hora na rua
14 anos de idade e a noite já é toda sua
Hoje há a sida há a má vida a batida e o vício
O filho é seu oh você acha que não tem nada a ver com isso
E a sua filha maravilha foi passear de automóvel
Hoje em dia pitas já peram por cargas no telemóvel
É o progresso mesmo que não seja lógico
É o ingresso no moderno é o inferno psicológico
Depois da v2 dvd download upload internet
mp3 mpc e-mail b52 escolhe tu o teu coktail
Hip hop drums beats é o kit mãos livres pin é o puk
O telemovel o teu look é a clik e é a crew
é a punani o tsunami o tamagotchi o picachu
É o shopping é as trips o md e o songoku
Chegou o 1 2 1 2 com mensagem underground
Check sound disco sound mimi disc é o mic
É a Adidas é a Nike o Marlboro o Lucky Strike
É a Fanta é a Sprite a battle e fight
Nigga tite para todos os meus boys
Mcs djs writhers e b-boys
É a ja sempre cool wonderfull
Muda o Chip a k7 o cd o dvd
Porque a mudança que tu procuras não vai dar na tv
Tu já devias saber porque e te teres apercebido
Qualquer dia vai ser um perigo pensar vai ser proibido
Antigamente era diferente pelo menos aqui na tuga
Hoje a gente fomos invadidos por colas e hambúrgueres
Oiço Rap desde miúdo hoje não há conteudo
Rappers modernos não dizem nada mas tem tudo
Continuo o meu estudo mesmo que tu não percebas
Se não tens nada a dizer então nao fales nem escrevas
Isso passa-te com a idade faz-te à vida que sabe
Talvez um dia um dia tu hás-de ganhar outra mentalidade
Antes o people ia às festas para tchilar e conviver
Hoje só saem de casa para ver damas e beber
Ta se bem um gajo tem de ser acessível
Mas 25 anos de carreira é outro nível
Depois da v2 dvd download upload internet
mp3 mpc e-mail b52 escolhe tu o teu coktail
Hip hop drums beats é o kit mãos livres pin é o puk
O telemovel o teu look é a clik e é a crew
é a punani o tsunami o tamagotchi o picachu
É o shopping é as trips o md e o songoku
Chegou o 1 2 1 2 com mensagem underground
Check sound disco sound mimi disc é o mic
É a Adidas é a Nike o Marlboro o Lucky Strike
É a Fanta é a Sprite a battle e fight
Nigga tite para todos os meus boys
Mcs djs writhers e b-boys
É a ja sempre cool wonderfull
Letra de Xeg
Revistados 26-06 GNR - Vários (2006)
imagem: http://www.osgnr.com/anterior-1991/?nggpage=2
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Natação Obrigatória

Viemos do fundapique
passámos no tudasaque
não há mal que mal nos fique
nem há cu que não dê traque
mal a gente vem ao mundo
logo a gente vai ao fundo
Andámos no malsalgado
brigámos no daceleste
e o escorbuto mal curado
com tratamento indigesto
mal a gente vem ao mundo
logo a gente vai ao fundo
[refrão]
Natação obrigatória
na introdução à instrução primária
natação obrigatória
para a salvação é condição necessária
não há cu que não dê traque
não há cu que não dê traque
mal a gente vem ao mundo
logo a gente vai ao fundo
Pusemos a cachimónia
em papas de sarrabulho
e quando as noites são de insónia
damos voltas ao entulho
mal a gente vem ao mundo
logo a gente vai ao fundo
Aprendizes da política
só na tática do "empocha"
vem a tempestade mítica
e s cabeça dá na rocha
mal a gente vem ao mundo
logo a gente vai ao fundo
[refrão]
Letra de António Avelar de Pinho
No Jardim da Celeste - Banda do Casaco (1980)
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Maria Albertina

Maria Albertina
Maria Albertina deixa que eu te diga....
Maria Albertina deixa que eu te diga....
Esse teu nome eu sei que não é um espanto mas
é cá da terra e tem
tem muito encanto
Esse teu nome eu sei que não é um espanto mas
é cá da terra e tem
tem muito encanto
Maria Albertina como foste nessa
de chamar Vanessa à tua menina
Maria Albertina como foste nessa
de chamar Vanessa à tua menina
Maria Albertina deixa que eu te diga....
Maria Albertina deixa que eu te diga....
Esse teu nome eu sei que não é um espanto mas
é cá da terra e tem
tem muito encanto
Esse teu nome eu sei que não é um espanto mas
é cá da terra e tem
tem muito encanto
Maria Albertina como foste nessa
de chamar Vanessa à tua menina
Maria Albertina como foste nessa
de chamar Vanessa à tua menina
Maria Albertina deixa que eu te diga....
Maria Albertina deixa que eu te diga....
Esse teu nome eu sei que não é um espanto mas
é cá da terra e tem
tem muito encanto
Esse teu nome eu sei que não é um espanto mas
é cá da terra e tem
tem muito encanto
Maria Albertina como foste nessa
de chamar Vanessa à tua menina
Maria Albertina como foste nessa
de chamar Vanessa à tua menina
que é bem cheiinha e muito moreninha
Letra de António Variações
Humanos - Humanos (2004)
VANESSA DE VARIAÇÕES É REAL (19.08.2005)
Vanessa Valentina Lima da Silva Marques Henriques tem 25 anos e podia muito bem ser uma jovem como qualquer outra, não fosse o facto de ter servido de inspiração para uma música inédita de António Variações. ‘Maria Albertina’, um tema ‘ressuscitado’ pelos Humanos, foi uma das canções mais badaladas do ano.
Para surpresa dos fãs, a Vidas [Correio da Manhã] descobriu que as duas protagonistas da música são reais e entrevistou uma delas. Foi com muita emoção que Vanessa recordou a mãe, Maria Albertina, amiga de António Variações, que infelizmente não viveu o suficiente para escutar a música que este lhe dedicou.
sábado, 24 de julho de 2010
Chico Fininho
Gingando pela ruaAo som do Lou Reed
Sempre na sua
Sempre cheio de speed
Segue o seu caminho
Com merda na algibeira
O chico fininho
O freak da cantareira
Chico fininho
Uuuuuuh uuuuuuh
Aos sss pela rua acima
Depois de mais um shoot nas retretes
Curtindo uma trip de heroína
Sapato bicudo e joanetes
A noite vem já e mal atina
Ele é o maior da cantareira
Patchuli borbulhas e brilhantina
Cólica escorbuto e caganeira
Chico fininho
Uuuuuuh uuuuuuh
Sempre a domar a cena
Fareja a judite em cada esquina
A vida só tem um problema
O ácido com muita estricnina
Da cantareira à baixa
Da baixa à cantareira
Conhece os flipados
Todos de gingeira
Chico fininho
Uuuuuuh uuuuuuh
Letra de Carlos Tê
Ar de Rock - Rui Veloso (1980)
(selo de 2010 na imagem)
sábado, 12 de junho de 2010
Todos Os Homens São Maricas Quando Estão Com Gripe

Pachos na testa Terço na mão Uma botija Chá de limão Zaragotoas
Vinho com mel 3 aspirinas Creme na pele Dói-me a garganta Chamo a mulher Ai Lurdes, Lurdes Que vou morrer Mede-me a febre Olha-me a goela Cala os miúdos Fecha a janela Não quero canja Nem a salada Ai Lurdes, Lurdes Não vales nada Se tu sonhasses Como me sinto Já vejo a morte Nunca te minto Já vejo o inferno Chamas diabos Anjos estranhos Cornos e rabos Vejo os demónios Nas suas danças Tigres sem litras Bodes de tranças Choros de coruja Risos de grilo Ai Lurdes, Lurdes Que foi aquilo Não é chuva No
meu postigo Ai Lurdes, Lurdes
Fica comigo Não é o vento A cirandar Nem são as vozes Que
vêm do mar Não é o pingo De uma torneira Põe-me a santinha Á cabeceira Compõe-me a colcha Fala ao prior Pousa o Jesus No cobertor Chama o doutor Passa a chamada
Ai Lurdes, Lurdes Nem dás por nada Faz-me tisanas E pão de ló
Não te levantes Que fico só Aqui sozinho A apodrecer Ai Lurdes, Lurdes Que vou morrer
Letra de António Lobo Antunes
Eu Que Me Comovo Por Tudo E Por Nada - Vitorino (1992)
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Dinis dos Botões

Esses teus olhos verde-Benetton
Oh! minha paixão vermelho-Ferrari
O meu coração palpita Ton-sur-ton
Ao ver-te sorrir Colgate anticárie
As tuas pernas-Dim, que sedução
cobiço esse teu sexo Sloggi, sim
ao teu Triumph(al) peito deito a mão
mas levo um estalo e ainda te ris de mim
Chamo-me Dinis, sou o rei dos botões
só as etiquetas me dão sensações
deixa ver a marca da minha emoção
não digas que não.
Desejo esses teus lábios-Cibelle
os teus delicados pulsos-Cartier
o cheiro do teu corpinho-Chanel
os teus bonitos ombros-Gaultier.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Fado da Internet

não é, por isso,
antiquado.
Deve, até, ser "p'ra frentex"
e assim é que se
trata hoje o Fado.
Graças ao computador,
p´ra se compor
com grande afã,
digita-se um teclado
e o resultado
vê-se no "écran".
Pode-se falar de tascas,
rameiras rascas,
vida indecente,
mas não se vai à taberna
e quem alterna
é a corrente.
Pode o faia ser gingão,
falar calão,
andar à crava,
pode a fadista usar xaile,
mas é num "file"
que isto se grava.
Para que a gralha se evite,
faz-se um "delete"
e, a seguir,
se a memória já não vive,
faz-se "retrieve"
no mesmo "dir".
"Enter" que estás a agradar,
convém salvar,
se a coisa interessa.
Mal a letra se define,
com "print screen"
sai logo impressa.
Com o título ninguém teime:
faz-se "rename",
nem se discute.
E, se a CPU pendura,
tudo tem cura,
basta um "reboot".
Guitarras virtualizadas,
vozes filtradas
por fios eléctricos,
o Fado activa circuitos
e os seus intuitos
são cibernéticos.
Já não se escreve em toalha
a boa malha
que vem à mente.
Esse bom tempo findou-se,
agora é "windows"
o ambiente.
O Fado é feito com "bits",
em "micro-chips",
mora em "disquette",
mas não deixa de ser Fado.
Está paginado
na "Internet".
Letra de Daniel Gouveia
Com Tradição - Carlos Zel (2000)
Foi uma das letras inseridas como apêndice no "Novo Dicionário de Calão" de Afonso Praça (Editorial Notícias, 2001).
sexta-feira, 12 de março de 2010
Rockolagem

As damas chegam de maxi
Não estava lá a Rosete
E regressaram de táxi
Sobem a Rua do Carmo
Com o Frodo na garupa
A reboque do Robot
Vai a Salada de Fruta
O rock também e riso
Que faço com muito gozo
Mas não perco é o juízo
Por causa do Rui Veloso
Trabalhadores do Comércio
É um puto e dois com vício
Um Rock com muitos Vários
Será que é Arte e Ofício?
O pagode anda guloso
Já Fumega na Ribeira
Desde o Fininho Veloso
À suicida Ferreira
O rock anda com febre
São os putos no recreio
O stock está mais alegre
Mas não vai nesse passeio
O rock também e riso
Que faço com muito gozo
Mas não perco é o juízo
Por causa do Rui Veloso
O que vez oh! Espelho meu
Portugal na CEE
Oh! Meu o que é que te deu?
Oh! Pá eu Seilasié
Foram os berros do Barros
Que criaram as raízes
Cuidado que o Piso é Liso
Não se gastem as matrizes
O rock também e riso
Que faço com muito gozo
Mas não perco é o juízo
Por causa do Rui Veloso
O rock anda com febre
São os putos no recreio
O stock está mais alegre
Mas não vai nesse passeio
Letra de João Moutinho
A Pastilha/Rockolagem - João Moutinho (1981)
http://www.poemar.com.br/MP3/rockolagem.htm
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Nefretite não Tinha Papeira

Tuthankamon apetite
Já minha avó me dizia
Olha que a sopa arrefece
Nos funerais de antanho
As capicuas gritavam
E às escuras na cozinha
Já as galinhas dormiam
Manolo era o rei do fandango
Do fandaguilho picado
Maria se fores ao baile
Leva o casaco castanho
O rei João era dos tesos
Chamavam-lhe João dos Quintos
Lá na terra brasileira
Vinham quintais de Ouro Preto
Em suma a soma interessava
A quem interessa algum dia
De lingotes e pimentas
Ainda vamos ao fundo
Lá para o reino da Arábia
Havia amêndoas aos centos
Que grande rebaldaria
E a Palestina às escuras
Os Sheikes israelitas
Já que estou com a mão na massa
Lembram-me os Sheikes das fitas
Que dão porrada a quem passa
Letra de José Afonso
Venham Mais Cinco - José Afonso (1973)