Indivíduos não identificados só existem nos hospitais, morgues e cemitérios. Porque, logo à nascença, apanhamos com nomes próprios. Que traduzem afectos, desejos, convicções, quiçá conceitos estéticos dos nossos progenitores. Evocam santos protectores, heróis românticos, padrinhos e entes queridos já desaparecidos. Ou simplesmente nomes em moda.
Assim, nos anos 30, houve uma epidemia de Elizabethes, Goretes, Gracietes e Arletes. Na geração de 70, foram Patrícias Sofias, Cátias Alexandras e Carlas Vanessas. Excepto no Povo da Esquerda, claro. Aí, ficaram todas Catarinas, como a Virgem Vermelha, a Portas e a Furtado. Vá lá que escaparam da Eufémia. Soubessem os papás o vero significado da palavra «catarina» -- vasto mamalhal, seios úberes, bastos desenvolvidos -- que as ora vedetas da TV chamavam-se Rosas do Luxemburgo, Josinas Machéis e Nadedjas Constantinovnas, como Madame Lenine.
Enfim, com tantas Catarinas, distingui-las entre as demais, só pelos apelidos familiares. Os quais evocam lugares, ofícios, botânica ou zoologia. Exemplos: Aboins, Portos, Franças, Limas, Mondegos, Aroucas, Fontes, Regos, Pereiras, Cerejeiras, Nabos, Uvas, Trigos, Searas, Robalos, Cavacos, Cordeiros ou Coelhos. Agora reparo: todos os Coelhos meus amigos têm qualquer traço do dito, mais não seja um trejeito esquivo, alguma procidência dentária, um esgar como quem está sempre a roer o almoço.
Talvez que os apelidos resultem de alcunhas, como «Todo-Bom». Atente-se aos adjectivos: não é um nome, é um programa de vida. É o todo-poderoso patrão das telecomunicações, o tal que come INESQUES e Triboletes ao pequeno-almoço.
Há quem não aprecie alcunhas, porque ofensivas, pejorativas, depreciativas. Nada mais disparatado. Pois não está a História Pátria recheada de alcunhas ilustres, como D. Manuel o Venturoso, Afonso o Gordo, Pedro o Cru, o Capelo, o Conquistador, o Povoador, e, suprema ironia, Afonso VI, o Vitorioso. Um pobre imbecil, sequestrado e corneado pelo irmão, Dom Pedro II, o Pacífico. Melhor que uma biografia, o bom cognome é a impressão digital ampla, global, pessoal e intransmissível, do sujeito cidadão. Permitam-me que ilustre este ponto de vista.
Conheci há três décadas, na Lusa Atenas, mestres com alcunhas tão extraordinárias como «Caga-Tacos» e «Piça-Fria». Nomes, apelidos? Levou-os o olvido. Mas permanece a memória do primeiro lente, baixo, atarracado, estilo José Augusto Seabra, em saltos-altos, cuspindo toda a assistência enquanto debitava sapiência. E o segundo, qual Salazar, em estado de viuvez perpétua, embuçado, clandestino, nos prostíbulos do Terreiro da Erva, onde entesava e coisava, dizia-se, mais rápido que um coelho, sempre, sempre, calças arreadas mas sem despir o sobretudo.
Não avancemos na ordinarice. Pois no pequeno mundo onde fui criado havia alcunhas tão surrealistas como «Sr. Cadeira de Estilo». Era um «gentleman» com ares de Meneres de Pimentel, magro, distinto, de parcimonioso discurso, amavelmente convencional, que se deslocava com a mesma elegância e solenidade de uma cadeira Chippendale, se lhe fosse atribuído o dom da locomoção. E o «Sr. Bule-Chinês», baixo, gordito, cara em lua-cheia, sorriso posto e pálpebras semicerradas, com uma enorme penca recurva e afilada, de onde se esperava, a todo o momento, a saída de chá de Jasmim.
Mais vulgar, o coronel Buda, rebocando, dois passos atrás, a malvada esposa, madame Buda-Peste. Na repartição de finanças, era o Sr. Vaquinha, combinação natural entre a tranquilidade bovina e o pasto burocrático. E, dirigindo rendimentos, o Bezerrinho de Ouro, mansidão idêntica, mas recheada de heranças. Por falar em mamíferos ilustres, destaque ao Cavalo Branco, Governador Civil, Coronel de Cavalaria, muita estampa para pouco miolo, prova provada de que marcar passo atrofia o cérebro. Nos ossos do ofício, cito um tal Freitas dos Cachorros, encarregado do canil municipal, com negócio clandestino de fabrico de escovas em pelo de canídeo. Filho de tal sorte, assentou praça na PIDE: era o inspector Freitas Cão. Consorciado com uma Lulu fraldiqueira, Dona Maria Luísa, vulgo de Marilu Au-Au. E, figuras públicas, Miss Baby e o Sr. Marléne, vetustas bichas a quem rendo homenagem, pela inovação e criatividade com que abalaram os alicerces da cidade.
Poderia apresentar o Queijada, o Manteiga, o Vaselina, o Broxa, o Marmeladoff, o Focinho-Roído, o Destrava-Abelhinhas, o Pele-e-Osso, o Filho-da-Amália, o Elefante Místico, o Dr. Não-É, o Dr. Verdelejo, o Dr. Foguete Eléctrico e um nunca acabar de personagens. Culminando no «1º de Abril», confabulador por excelência, inventor de fortunas imaginárias, antepassados ilustres, gloriosos feitos e notícias falsas. Ou não fosse «jornalista» correspondente das agências ANI e Lusitânia. Tão exagerado, tão exagerado, que, em cada três afirmações, quatro eram seguramente falsas. Pálido rival, só o «31 de Março», outro borda-de-água, forçado a tomar esta alcunha porque o dia das mentiras já estava ocupado.
Aviso final: todas as figuras ora referidas, incluindo D. Afonso VI, o Vitorioso, nunca existiram. São mera ficção. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. Pretendi tão-só demonstrar que uma boa alcunha vale mais que o nome, nº fiscal do contribuinte, etecetera e tal. Adeus.
Destaque: Há quem não aprecie alcunhas, porque ofensivas, pejorativas, depreciativas. Nada mais disparatado. Pois não está a História Pátria recheada de alcunhas ilustres, como D. Manuel o Venturoso, Afonso o Gordo, Pedro o Cru, o Capelo, o Conquistador, o Povoador, e, suprema ironia, Afonso VI, o Vitorioso.
PUBLICO-1994/07/05-116
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terça-feira, 4 de outubro de 2011
domingo, 25 de setembro de 2011
Nomes de Família

Em Portugal, se o nomes são levados a sério, então o que se pode dizer dos apelidos? Não deve haver país (com excepção para o Reino Unido) onde o apelido seja tão sobrevalorizado. Sobretudo entre os membros da dita alta sociedade, e os aspiracionais que à volta dela gravitam, qual borboletas encandeadas por uma lanterna mágica. E isto é de tal forma importante que há quem não use o apelido do pai ou vá buscar a uma bisavó torta um nome de família esquecido mas que soe melhor na tentativa de ser mais bem visto pelo próximo. É este nome de família que faz com que se seja de boas famílias, mesmo que a família até já tenha nas história alguns episódios menos recomendáveis e ainda menos contáveis.
A maior parte dos nomes de família em Portugal são duplos ou compostos. para se ter um nome único, é preciso que este seja inequivocamente aristocrático como Bragança, Lorena, Pombal, Lavradio, Palmeia, van Uden, Távora ou Almada - e aqui começa a confusão porque muitas vezes estes são títulos que as pessoas adoptam como apelidos - ou então apelidos estrangeiros cuja origem nem sempre é conhecida mas que soam bem como Ricciardi, Martorell, Bullosa, Champalimaud, van Zeller, Bobone, Bleck, Holstein, d'Orey, Omm e Mayer, ou ainda os inventados, tipo Patti Labelle como Chatîllon...
Nomes portugueses de gema são os antigos e tradicionais, relacionados com a história como Cabral, Albuquerque, Gama, Norton de Mattos e outros. É muito mais agradável uma pessoa ter como apelido Eça de Queiroz, Almeida Garrett, ou Sottomayor do que por exemplo Alves dos Reis...
E depois, há o infindável reino dos compostos que se presta às mais imaginativas e variadas combinações, como por exemplo os Coutinhos: Azevedo Coutinho, Pereira Coutinho, Penha Coutinho, Sá Coutinho, Sousa Coutinho e Dias Coutinho não têm nada a ver com qualquer Coutinho impar e solitário. E o mesmo se dá com os Vasconcelos que existem em muitas e variadas combinações: Vasconcelos e Sá, Vasconcelos e Sousa, Paes de Vasconcelos, Vasconcelos Porto (esqueci-me do duplo L desculpem llá).
Dos Pintos, então nem se fala; Ferreira Pinto, Felner Pinto, Ramos Pinto, Pinto Basto, Pinto Leite, Leite Pinto, sem esquecer o Pinto da Costa. Ser só Pinto ou só Coelho não tem história, mas ser Pinto-Coelho já é outra conversa. e apesar de haver alguns Leões há poucos tigres, embora haja Vacas (como os Vacas de Carvalho) não há Bois e os Ratos superam os Gatos. E a ordem é muito importante, senão fundamental: os Franco de Sousa não têm nada a ver com Sousa Franco e os Espírito-Santo não podiam estar mas longe dos Santos tout court.
O apelido em Portugal tem mesmo muito que se lhe diga. Em certos meios funciona como um cartão de visita, uma referência indispensável, porque toda a gente pensa que conhece toda a gente que interessa. E se não conhece, então é porque não interessa. Por isso é sempre bom ter um primo, uma tia, um bisavó ou mesmo uma madrasta que seja conhecida. É o passaporte, o visto de entrada. Pode-se ter rios de dinheiro, barcos de trinta metros e dar festas monumentais, mas há que impor um nome que distinga das marés imensas de Silvas, Santos, Nunes, Henriques, Monteiros, Costas, Carvalhos e outros mais ou menos comuns. Se se tiver alguns milhões, também ajuda.
E a propósito, alguém me explica: porque é que há tantos Pinheiros se somos a terra dos Eucaliptos? E se há tantos chatos e melgas porque é só que há Abelhos? E em terra de Galos porque é que ninguém se chama galinha?
Definitivamente em Portugal há muitos nomes, mas raramente servem para chamar os verdadeiros nomes às coisas. Ou às pessoas.
Texto de Margarida Rebelo Pinto publicado no suplemento DNA do Diário de Notícias, 1998
imagem de Fátima Rolo Duarte
A maior parte dos nomes de família em Portugal são duplos ou compostos. para se ter um nome único, é preciso que este seja inequivocamente aristocrático como Bragança, Lorena, Pombal, Lavradio, Palmeia, van Uden, Távora ou Almada - e aqui começa a confusão porque muitas vezes estes são títulos que as pessoas adoptam como apelidos - ou então apelidos estrangeiros cuja origem nem sempre é conhecida mas que soam bem como Ricciardi, Martorell, Bullosa, Champalimaud, van Zeller, Bobone, Bleck, Holstein, d'Orey, Omm e Mayer, ou ainda os inventados, tipo Patti Labelle como Chatîllon...
Nomes portugueses de gema são os antigos e tradicionais, relacionados com a história como Cabral, Albuquerque, Gama, Norton de Mattos e outros. É muito mais agradável uma pessoa ter como apelido Eça de Queiroz, Almeida Garrett, ou Sottomayor do que por exemplo Alves dos Reis...
E depois, há o infindável reino dos compostos que se presta às mais imaginativas e variadas combinações, como por exemplo os Coutinhos: Azevedo Coutinho, Pereira Coutinho, Penha Coutinho, Sá Coutinho, Sousa Coutinho e Dias Coutinho não têm nada a ver com qualquer Coutinho impar e solitário. E o mesmo se dá com os Vasconcelos que existem em muitas e variadas combinações: Vasconcelos e Sá, Vasconcelos e Sousa, Paes de Vasconcelos, Vasconcelos Porto (esqueci-me do duplo L desculpem llá).
Dos Pintos, então nem se fala; Ferreira Pinto, Felner Pinto, Ramos Pinto, Pinto Basto, Pinto Leite, Leite Pinto, sem esquecer o Pinto da Costa. Ser só Pinto ou só Coelho não tem história, mas ser Pinto-Coelho já é outra conversa. e apesar de haver alguns Leões há poucos tigres, embora haja Vacas (como os Vacas de Carvalho) não há Bois e os Ratos superam os Gatos. E a ordem é muito importante, senão fundamental: os Franco de Sousa não têm nada a ver com Sousa Franco e os Espírito-Santo não podiam estar mas longe dos Santos tout court.
O apelido em Portugal tem mesmo muito que se lhe diga. Em certos meios funciona como um cartão de visita, uma referência indispensável, porque toda a gente pensa que conhece toda a gente que interessa. E se não conhece, então é porque não interessa. Por isso é sempre bom ter um primo, uma tia, um bisavó ou mesmo uma madrasta que seja conhecida. É o passaporte, o visto de entrada. Pode-se ter rios de dinheiro, barcos de trinta metros e dar festas monumentais, mas há que impor um nome que distinga das marés imensas de Silvas, Santos, Nunes, Henriques, Monteiros, Costas, Carvalhos e outros mais ou menos comuns. Se se tiver alguns milhões, também ajuda.
E a propósito, alguém me explica: porque é que há tantos Pinheiros se somos a terra dos Eucaliptos? E se há tantos chatos e melgas porque é só que há Abelhos? E em terra de Galos porque é que ninguém se chama galinha?
Definitivamente em Portugal há muitos nomes, mas raramente servem para chamar os verdadeiros nomes às coisas. Ou às pessoas.
Texto de Margarida Rebelo Pinto publicado no suplemento DNA do Diário de Notícias, 1998
imagem de Fátima Rolo Duarte
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Nomenclatura
No meio social em Portugal o nome ainda vale alguma coisa. Ou vale o nome, ou vale o dinheiro, mas quem tem o primeiro não tem necessariamente que ter o segundo, enquanto que quem possui uma grande soma do segundo, com esforço, paciência e habilidade consegue ir tendo o primeiro. O importante é ter alguma coisa que distinga da maioria discreta. Talvez por isso a sociedade dita «bem» use e abuse dos diminutivos nos nomes próprios e pela mesma razão se estenda em apelidos longos, compostos de dois ou mais nomes de família onde não faltam os de e e para compor o ramalhete.Assim, em lugar de Bárbara, Catarina, Luísa e Conceição, há a Bábá, a Katucha, a Bibicha (ou Lalu) e a Xaxão. E também há as Lelas, as Kikas, as Genas, bem como outros diminutivos deliciosos e muito interessantes do ponto de vista etimológico como a Batata, a Cenoura, a Boneca, a Picuxa e a Vicky. Sem esquecer a Dadinha e a Kiki, a Néné e a Lili que dispensam apresentações. Ou ainda a Beluca, a Bi, a Ni, a Kuka, a Belicha, a Nana, a Pachola e a Cocas, a Manita, a Mafuca, a Tatão, a Ruxa e a Lálá... E «at last but not the least» os diminutivos propriamente ditos, terminados em inha como Patinhas, Xandinha, Gracinha e Branquinha, a Silvinha e outros que agora não me ocorrem.
0 mesmo se aplica a eles. Os Franciscos são Quicos, os Ruis são Roys, alguns Pedros são Pipas enquanto que os António podem ser Nis, Tonis ou simplesmente Tós. E depois há o Pico, o Mim, o Tim, o Becas, o Licas, o Ninó, o Migas e o Petas. E ainda os homens-maria que também são nomes muito bem: o Zé Maria, o Gonçalo Maria, o João Maria, o António Maria, o Luís Maria e aqueles nomes inequivocamente na moda e que já não se podem ouvir como o Bernardo, o Martim, o Salvador, o Tomás, o Vasco e o Gonçalo.
Entre os tradicionais que caem sempre bem, sem hora nem geração contam-se nomes como Zé Filipe, Zé Miguel ou ainda Zé Luís. Ou os clássicos e mais ou menos aristocráticos que ainda não atingiram o ponto de saturação como Duarte, Pedro, Roque, Miguel, Joaquim, Filipe, Lourenço e Guilherme. Os nomes fora de questão e totalmente interditos são os duplos formados por nomes não tradicionais como Carlos, Armando, Paulo, Alexandre e Jorge e todos os neologismos inseridos pelo Brasil através das novelas e do futebol como Marco, Hélio, Helder, Ivan ou Igor. Numa mesa de chá aceita-se com algum fastio um Américo, um Asdrubal ou até mesmo um Serafim, mas um Nereu, um Glauco ou um Leandro são absolutamente inaceitáveis. A não ser que sejam fotógrafos de revistas cor de rosa e aí o caso muda de figura. Já se podem sentar e beber o chá à vontade.
Nos nomes delas, há vários já totalmente estafados como Carlota, Constança, Carolina e outros recentemente na moda mas com tendência para a vulgarização como as Franciscas e as Caetanas. Felizmente ainda subsistem os verdadeiros clássicos, que não ferem e ficam sempre bem como Luísa, Marta, Sofia e Madalena. Ou então Mariana, Mónica, Catarina, Maria do Carmo e Maria do Rosário (que acabam invariavelmente em Carminhos e Rosarinhos, mas não faz mal porque são diminutivos bonitos). E ainda Teresa, Joana, Graça, Cristina, Filipa, Isabel, Piedade, Bárbara, Beatriz, Benedita e Patrícia. E depois há as Marias com nome de homem que também são muito recomendáveis como a Maria José, a Maria Miguel, a Maria João, a Maria Manuel e, para terminar, o nome mais bonito e simples e também mais português de todos que co-existe pacificamente em todos os estratos sociais, que acompanha muitos outros nomes mas que fica invariavelmente bem sozinho, o místico e encantador simplesmente Maria...
Os nomes interditos são os duplos com estrangeirismos como Katia Vanessa, Marlene Susana, Jessica Sofia, Diana Paula ou Rute Rita. Também não são famosas nem bem vistas as combinações de nomes clássicos como Teresa Margarida, Marta Sofia, ou Rita Mafalda.
E depois há outro fenómeno interessantíssimo que são as pessoas que têm cara de. Como certos Antónios e muitos Gonçalos e ainda alguns Miguéis, que não podiam mesmo chamar-se outra coisa. Assim como algumas Mafaldas e Mónicas, Martas e Catarinas que não seriam as mesmas se tivessem outro nome...
É caso para citar com alguma subversão e abuso linguístico o ditado, diz-me como te chamas, dir-te-ei como és. Nunca conheci uma Sofia que não fosse ligeiramente mosca morta, uma Marta que não fosse totalmente espevitada, uma Filipa que não falasse pelos cotovelos ou uma Constança que não tivesse um ar enjoado. Nunca conheci um António que não fosse simpático, um Gonçalo que não fosse encantador, um Francisco que não fosse malandreco.
Texto de Margarida Rebelo Pinto publicado no suplemento DNA do Diário de Notícias, 1998
imagem de Fátima Rolo Duarte
domingo, 4 de setembro de 2011
Toponimia
"Viagem Pelo Pais Surreal da Toponímia" é uma série de artigos publicados no jornal Público
Por Por Luís Francisco (texto) e Rita Baleia (fotografia)
http://jornal.publico.pt/noticia/12-08-2011/po-de-poeira-a-resposta--do-povo-e-um-nao-redondo-22681695.htm
Por Por Luís Francisco (texto) e Rita Baleia (fotografia)
http://jornal.publico.pt/noticia/12-08-2011/po-de-poeira-a-resposta--do-povo-e-um-nao-redondo-22681695.htm
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Jornadas de toponímia em Lisboa

Nomes de gente ilustre estão a tomar conta da cidade
Sentir-se-ão os moradores do Beco da Bicha embaraçados de cada vez que têm de dar a morada a alguém? E as habitantes da Azinhaga da Bruxa? Os mistérios dos nomes das ruas de Lisboa estão a partir de hoje em debate no Espaço Monsanto, na quinta edição das Jornadas de Toponímia.
Até quinta-feira serão abordados temas tão distintos como a influência do lixo ou da gastronomia nas nomenclaturas da cidade. "A acumulação de lixo em tempos antigos deu origem a nomes como Rua do Monturo ou Beco das Esterqueiras. Hoje mantém-se um, a Rampa do Vazadouro", conta o autor de uma das comunicações, Francisco Santana.
A sensibilidade dos habitantes faz com que os nomes dos ilustres acabem por ser, muitas vezes, a opção menos arriscada. A directora do departamento camarário encarregue destas questões, Paula Levy, conta que os serviços municipais tiveram de desistir de chamar a um arruamento nas imediações da Avenida do Brasil Rua das Malvas porque a designação botânica fazia lembrar aos moradores a expressão "mandar às malvas", que significa mandar às urtigas ou para o cemitério. Foram também os habitantes a impedir que as artérias do Bairro da Serafina tivessem nomes como Rua do Deita-Gatos.
Por estas e outras é que a grande maioria das denominações escolhidas pela câmara nos últimos anos visa homenagear alguém. Pablo Neruda e Jorge Luís Borges, por exemplo, deverão em breve juntar-se aos milhares de ilustres que integram a toponímia lisboeta. As nomenclaturas parecem estar a ser alvo de uma higienização: o Pátio das Malucas perdeu-se quando as casinhas que o formavam foram abaixo, o Vale Escuro passou a chamar-se Vale de Santo António, nome de uma zona situada mais adiante.
Nas últimas jornadas de toponímia, realizadas há já três anos, o técnico camarário Veríssimo Pires recomendou à comissão municipal de toponímia que as referências "a memórias, lugares, tradições, afectos ou desamores" fossem também tidas em conta nas denominações. "Quem resiste ao cheiro e aconchego de um Largo das Roseiras ou do Largo dos Castanheiros da India?", interrogava.
Qualquer particular ou instituição pode propor à câmara um nome de rua. O assunto é depois analisado pela comissão municipal de toponímia, onde estão representadas várias instituições. O passo final é a submissão da designação à apreciação dos vereadores, em sede de reunião de câmara. Quando se trata de figuras ilustres a homenagem é sempre póstuma. "Desde 1943 que não é hábito dar, em vida, o nome de alguém a uma rua de Lisboa. A excepção foi João Paulo II", conta Paula Levy.
Casos há também em que a população não aderiu às novas designações impostas pelas autoridades municipais. É por isso que a Câmara de Lisboa está, há vários anos, a preparar uma operação que consiste em anexar a algumas placas toponímicas segundas placas com os antigos nomes. É o caso da Praça Francisco Sá Carneiro - que nunca deixou de ser conhecida como Praça do Areeiro - e do Largo Adelino Amaro da Costa, ao qual os lisboetas continuam a chamar Largo do Caldas.
Ana Henriques / PÚBLICO, 26/10/2004
domingo, 17 de abril de 2011
Lista de nomes proibidos cresce todos os anos
Portugal é o único pais das democracias ocidentais onde os pais não são livres de escolherem o nome dos filhos. A lista de nomes proibidos cresce todos os anos.
Há 2600 nomes proibidos pelo Instituto dos Registos e Notariado. No ano passado foram proibidos mais dez nomes depois de pedidos que os serviços não aceitaram como legais. Outros dez passaram o teste e ganharam o estatuto de nome legal na língua portuguesa.
Abdénago, Irisalva, Kyara, Yuri, Yasmin e Joaninha estão entre os nomes considerados legais. Ritinha, Camões, Adilson ou Jade não são aceites.
Octávio dos Santos quer chamar ao filho Júnior, mas não foi aceite. À TSF, este pai questiona o facto de «ser possível atribuir nomes estrangeiros» e ele «não poder colocar o nome de Júnior que é um nome perfeitamente vulgar».
O filho tem mês e meio e não está registado. Octávio dos Santos recusa dar outro nome e não sabe como identificá-lo no IRS. Admite mesmo colocar uma providência cautelar contra o Estado.
«No fundo quem está a atribuir o nome ao meu filho é o Estado, não sou eu», lamenta.
Por lei os nomes têm de ser portugueses e não devem deixar dúvidas sobre o sexo da criança.
A directora da Conservatória dos Registos Centrais, Filomena Rocha, diz que o nome Júnior «tem o estatuto peculiar bastante próprio da alcunha».
Octávio dos Santos considera que a lista de nomes do registo civil é absurda. «Subentende-se que há um fechar de olhos em muitas situações», acusa.
A Directora dos Registos Centrais admite que por vezes também ela não percebe os critérios por detrás de alguns nomes, mas depois, ao ler a razão invocada pelo consultor, acaba por entender.
Em todo o país há apenas um linguista responsável por estes pareceres.
Os Registos Centrais admitem que é preciso rever a lista de nomes possíveis e proibidos.
Para registar um filho, o registo civil apresenta aos pais uma lista. Pelo menos 2600 nomes são possíveis. Outros 2600 proibidos.
TSF, 28/02/2011
Reportagem de Nuno Guedes sobre os nomes proibidos
Há 2600 nomes proibidos pelo Instituto dos Registos e Notariado. No ano passado foram proibidos mais dez nomes depois de pedidos que os serviços não aceitaram como legais. Outros dez passaram o teste e ganharam o estatuto de nome legal na língua portuguesa.
Abdénago, Irisalva, Kyara, Yuri, Yasmin e Joaninha estão entre os nomes considerados legais. Ritinha, Camões, Adilson ou Jade não são aceites.
Octávio dos Santos quer chamar ao filho Júnior, mas não foi aceite. À TSF, este pai questiona o facto de «ser possível atribuir nomes estrangeiros» e ele «não poder colocar o nome de Júnior que é um nome perfeitamente vulgar».
O filho tem mês e meio e não está registado. Octávio dos Santos recusa dar outro nome e não sabe como identificá-lo no IRS. Admite mesmo colocar uma providência cautelar contra o Estado.
«No fundo quem está a atribuir o nome ao meu filho é o Estado, não sou eu», lamenta.
Por lei os nomes têm de ser portugueses e não devem deixar dúvidas sobre o sexo da criança.
A directora da Conservatória dos Registos Centrais, Filomena Rocha, diz que o nome Júnior «tem o estatuto peculiar bastante próprio da alcunha».
Octávio dos Santos considera que a lista de nomes do registo civil é absurda. «Subentende-se que há um fechar de olhos em muitas situações», acusa.
A Directora dos Registos Centrais admite que por vezes também ela não percebe os critérios por detrás de alguns nomes, mas depois, ao ler a razão invocada pelo consultor, acaba por entender.
Em todo o país há apenas um linguista responsável por estes pareceres.
Os Registos Centrais admitem que é preciso rever a lista de nomes possíveis e proibidos.
Para registar um filho, o registo civil apresenta aos pais uma lista. Pelo menos 2600 nomes são possíveis. Outros 2600 proibidos.
TSF, 28/02/2011
Reportagem de Nuno Guedes sobre os nomes proibidos
quarta-feira, 30 de março de 2011
Toponímia bizarra
À medida que o País se vai tornando mais cinzento, perdendo o humor e as pessoas cultivando o horror ao que chamam ridículo, muitas terras requereram a mudança de nome. Mas a edicção de 1981 do Novo Dicionário Corográfico de Portugal, da Editorial Domingos Barreira, refere ainda muitas que são obras-primas e dignas de registo.
Localidades que começam o seu nome por «Aldeia», uma por certo não poderá escapar aos mais machistas: Aldeia das Mulheres (Carvalhal). Outras há com nomes de bichos: Aldeia dos Grilos (Borba), que faz lembrar outra relacionada com o reino animal, a Aldeia dos Porcos (Sesimbra). Aldeias com nomes de se lhes tirar o chapéu temos ainda a dos Gagos (Ferreira do Zêzere) dos Ruins (Ferreira do Alentejo), dos Redondos (Pombal) e das Gorduras (Orada).
Mexeram-se bem, para serem rebaptizados os naturais da hoje aldeia de Nossa Senhora da Glória, na freguesia de Carvoeira, Torres Vedras, que repudiaram o anterior topónimo: Panasqueira. Mas outros mais descontraídos mantiveram o nome, em terras que se encontram em Avis, Alcobaça, Monchique, Oleiros, Ponte de Sor e Faro.
Aldeias de Além contamos quase três dezenas, mas Além do Banho, em Marco de Canaveses, há uma. Bacalhau Velho e Bacalhau Novo encontram-se nas imediações de Benfica do Ribatejo. Por Bêbeda de Baixo e Bêbeda de Cima, nos arredores de Sines, se prosseguirá o caminho que deverá levar até Arrota, em Sever do Vouga.
Alentejo é nome de três aldeias, mas nenhuma delas na província do mesmo nome. Encontram-se em Oliveira do Hospital, Soalhães e Marco de Canaveses. Com respeito a cabeças, há as das mais variadas espécies: é a Cabeça Boa, Calva, de Boi, de Cabra, de Cão, da Galinha, de Porca, de Águia. Após tanta cabeça, uma pessoa só pode ir para Cabeça Perdida, no concelho de Portimão. Ainda no reino animal, ficaram os nomes de Cabra (Gouveia), Cabrito (Abrantes), que deve ter qualquer coisa a ver com Caganita (Cercal), e Camelo, em São Facundo, Guimarães. Há ainda a considerar a terra de Cães e de Cágado. Por outro lado, em termos de «Casais» temos o Bom, o Calado, e o Casal da Barba Pouca, do Esborrachado e ainda Pocilgas e Casinhas.
Os critérios para ir em busca de terras com nomes fora de comum são muitos. Se formos letra a letra pelo Dicionário Corografico. Temos ainda na letra «C» o Coito e a Cor de Cabra. No «E» ressalta o lugar de Eidos (Mesão Frio). Para os mais maldosos e que gostam de fazer ligações perigosas, ficam aqui a Bufarda, no caminho de Peniche, e o Bufalhão (Arganil). No «F» a Filha Boa, Focinho de Cão e a Fonte do Bebe e Vai-Te para se seguir em frente para a Gaita e as Gorduchas.
Em terras de montes como locais de habitação, como no Alentejo, ficam alguns nomes desconcertantes como os Montes da Gorda, das Pulgas, das Moças, das Viúvas, dos Felizes e até dos Parvos.
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Reportagem "Corografia Insólita", da autoria de Humberto Vasconcelos, publicada no Diário de Notícias de 01/12/1996
(A totalidades dos artigos dessa reportagem estão publicadas neste blog em 5 mensagens de Março de 2011)

Localidades que começam o seu nome por «Aldeia», uma por certo não poderá escapar aos mais machistas: Aldeia das Mulheres (Carvalhal). Outras há com nomes de bichos: Aldeia dos Grilos (Borba), que faz lembrar outra relacionada com o reino animal, a Aldeia dos Porcos (Sesimbra). Aldeias com nomes de se lhes tirar o chapéu temos ainda a dos Gagos (Ferreira do Zêzere) dos Ruins (Ferreira do Alentejo), dos Redondos (Pombal) e das Gorduras (Orada).
Mexeram-se bem, para serem rebaptizados os naturais da hoje aldeia de Nossa Senhora da Glória, na freguesia de Carvoeira, Torres Vedras, que repudiaram o anterior topónimo: Panasqueira. Mas outros mais descontraídos mantiveram o nome, em terras que se encontram em Avis, Alcobaça, Monchique, Oleiros, Ponte de Sor e Faro.
Aldeias de Além contamos quase três dezenas, mas Além do Banho, em Marco de Canaveses, há uma. Bacalhau Velho e Bacalhau Novo encontram-se nas imediações de Benfica do Ribatejo. Por Bêbeda de Baixo e Bêbeda de Cima, nos arredores de Sines, se prosseguirá o caminho que deverá levar até Arrota, em Sever do Vouga.
Alentejo é nome de três aldeias, mas nenhuma delas na província do mesmo nome. Encontram-se em Oliveira do Hospital, Soalhães e Marco de Canaveses. Com respeito a cabeças, há as das mais variadas espécies: é a Cabeça Boa, Calva, de Boi, de Cabra, de Cão, da Galinha, de Porca, de Águia. Após tanta cabeça, uma pessoa só pode ir para Cabeça Perdida, no concelho de Portimão. Ainda no reino animal, ficaram os nomes de Cabra (Gouveia), Cabrito (Abrantes), que deve ter qualquer coisa a ver com Caganita (Cercal), e Camelo, em São Facundo, Guimarães. Há ainda a considerar a terra de Cães e de Cágado. Por outro lado, em termos de «Casais» temos o Bom, o Calado, e o Casal da Barba Pouca, do Esborrachado e ainda Pocilgas e Casinhas.
Os critérios para ir em busca de terras com nomes fora de comum são muitos. Se formos letra a letra pelo Dicionário Corografico. Temos ainda na letra «C» o Coito e a Cor de Cabra. No «E» ressalta o lugar de Eidos (Mesão Frio). Para os mais maldosos e que gostam de fazer ligações perigosas, ficam aqui a Bufarda, no caminho de Peniche, e o Bufalhão (Arganil). No «F» a Filha Boa, Focinho de Cão e a Fonte do Bebe e Vai-Te para se seguir em frente para a Gaita e as Gorduchas.
Em terras de montes como locais de habitação, como no Alentejo, ficam alguns nomes desconcertantes como os Montes da Gorda, das Pulgas, das Moças, das Viúvas, dos Felizes e até dos Parvos.
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Reportagem "Corografia Insólita", da autoria de Humberto Vasconcelos, publicada no Diário de Notícias de 01/12/1996
(A totalidades dos artigos dessa reportagem estão publicadas neste blog em 5 mensagens de Março de 2011)

quinta-feira, 24 de março de 2011
Grande Asneira
GRANDE ASNEIRA ERA UM MOINHO MOVIDO A ÁGUA
O nome de uma aldeia, de um qualquer lugar, pode nascer de uma situação o mais inverosímíl que se possa imaginar.
Moinho da Asneira é uma delas. Local com este nome há muitos anos, situa-se na volta do Mira, a uma milha da foz do rio, quando este ruma para sul a caminho de Odemira.
Ali se encontrava até há poucos anos o que deu origem ao seu nome. Nem mais nem menos que um moinho de maré. Por sinal o único que se conhece em toda a costa alentejana. Como se sabe, os moinhos de maré agem por força da água, sobre um roda de pás de eixo vertical que fazem mover as mós. Quando começou a construção, muita gente veio ver o engenho e começaram as dúvidas. «Que aquilo assim não funcionava, que era um moinho de asneira.» E assim ficou.
Outros dizem que o nome vem de ali se reunirem muitos asnos, que levavam o grão para moer.
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Reportagem "Corografia Insólita", da autoria de Humberto Vasconcelos, publicada no Diário de Notícias de 01/12/1996
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O nome de uma aldeia, de um qualquer lugar, pode nascer de uma situação o mais inverosímíl que se possa imaginar.
Moinho da Asneira é uma delas. Local com este nome há muitos anos, situa-se na volta do Mira, a uma milha da foz do rio, quando este ruma para sul a caminho de Odemira.
Ali se encontrava até há poucos anos o que deu origem ao seu nome. Nem mais nem menos que um moinho de maré. Por sinal o único que se conhece em toda a costa alentejana. Como se sabe, os moinhos de maré agem por força da água, sobre um roda de pás de eixo vertical que fazem mover as mós. Quando começou a construção, muita gente veio ver o engenho e começaram as dúvidas. «Que aquilo assim não funcionava, que era um moinho de asneira.» E assim ficou.
Outros dizem que o nome vem de ali se reunirem muitos asnos, que levavam o grão para moer.
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Reportagem "Corografia Insólita", da autoria de Humberto Vasconcelos, publicada no Diário de Notícias de 01/12/1996
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domingo, 20 de março de 2011
Aldeias de comer e beber e lugares de muitos medos

(Muitas são as terras com origem na sua boa mesa)
Para quem tem os sentidos mais virados para o estômago, aqui fica uma lista de terras a visitar.
Começar por Carne Assada, no concelho de Sintra, no caminho para a Ericeira. Mais gordurosa será a paragem em Toucinho. Mais virado para o lado do peixe, temos a Sardinha, em Estarreja, duas Trutas, uma em Vila Real e outra na Marinha Grande, e ainda o Peixe Frio, em Monção. Temperos buscam-se em Pimenta (Arouca). Acompanha com Pão Branco (Faro) ou Pão Duro (Alcoutim).
Para se empurrar tudo isto para baixo, há Figueiró dos Vinhos, ou Pipa, em Carnota (Alenquer).
Para os não alcoólicos, fica a possibilidade de experimentar Papa Leite e Papa Leitinho, na freguesia de São Sebastião dos Carros, Mértola.
Ainda para os que têm mais olhos que barriga, curiosos são os nomes de Taberna Seca, Sandes e Saca Bolos.
Um pouco sinistros são a Campa do Preto, Moço Morto e Mulher Morta. São coisas que devemos ver faladas em Medo por gente de Meio Mundo.
Por pé, pernas e patas se baptizaram algumas das nossas terras: há o Pé do Cão, Pé do Esquilo, Pé de Coelho, Pernada da Aranha, Perna-de-Pau. Mar-e-Guerra, em Faro, deve ser homenagem a gente de marinha. Mas há ainda dez Marinhas, três Marinheira e uma Marinheiro, já agora, vem a talhe de foice dizer que por ali perto, a caminho da Zambujeira do Mar, há uma terra chamada Mal Lavado. Terá alguma ligação?
Para os nortenhos que gostam de chamar marroquinos aos sulistas, aqui fica uma desilusão: Marrocos são quatro, mas dois são em Mértola e Portimão e os outros dois no Norte, em Tondela e Paços de Ferreira.
Boa terra deve ser Porreira. Bem esquisita uma outra que tem o nome de Raio X, na freguesia de Samoiães, Chaves. Também dura de ouvir é a terra de Rio Cabrão (Arcos de Valdevez). E os de Rio Bom, que são uma dezena, não devem gostar dos de Rio Mau, também outra dezena na terra. E muitos ficaram por contar, e outros por dar a conhecer.
Mas há, por certo, outras preciosidades por descobrir, no Portugal profundo que os citadinos tanto gostam de visitar, para regressar depois ao conforto das suas casas nas cidades.
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Reportagem "Corografia Insólita", da autoria de Humberto Vasconcelos, publicada no Diário de Notícias de 01/12/1996
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Para quem tem os sentidos mais virados para o estômago, aqui fica uma lista de terras a visitar.
Começar por Carne Assada, no concelho de Sintra, no caminho para a Ericeira. Mais gordurosa será a paragem em Toucinho. Mais virado para o lado do peixe, temos a Sardinha, em Estarreja, duas Trutas, uma em Vila Real e outra na Marinha Grande, e ainda o Peixe Frio, em Monção. Temperos buscam-se em Pimenta (Arouca). Acompanha com Pão Branco (Faro) ou Pão Duro (Alcoutim).
Para se empurrar tudo isto para baixo, há Figueiró dos Vinhos, ou Pipa, em Carnota (Alenquer).
Para os não alcoólicos, fica a possibilidade de experimentar Papa Leite e Papa Leitinho, na freguesia de São Sebastião dos Carros, Mértola.
Ainda para os que têm mais olhos que barriga, curiosos são os nomes de Taberna Seca, Sandes e Saca Bolos.
Um pouco sinistros são a Campa do Preto, Moço Morto e Mulher Morta. São coisas que devemos ver faladas em Medo por gente de Meio Mundo.
Por pé, pernas e patas se baptizaram algumas das nossas terras: há o Pé do Cão, Pé do Esquilo, Pé de Coelho, Pernada da Aranha, Perna-de-Pau. Mar-e-Guerra, em Faro, deve ser homenagem a gente de marinha. Mas há ainda dez Marinhas, três Marinheira e uma Marinheiro, já agora, vem a talhe de foice dizer que por ali perto, a caminho da Zambujeira do Mar, há uma terra chamada Mal Lavado. Terá alguma ligação?
Para os nortenhos que gostam de chamar marroquinos aos sulistas, aqui fica uma desilusão: Marrocos são quatro, mas dois são em Mértola e Portimão e os outros dois no Norte, em Tondela e Paços de Ferreira.
Boa terra deve ser Porreira. Bem esquisita uma outra que tem o nome de Raio X, na freguesia de Samoiães, Chaves. Também dura de ouvir é a terra de Rio Cabrão (Arcos de Valdevez). E os de Rio Bom, que são uma dezena, não devem gostar dos de Rio Mau, também outra dezena na terra. E muitos ficaram por contar, e outros por dar a conhecer.
Mas há, por certo, outras preciosidades por descobrir, no Portugal profundo que os citadinos tanto gostam de visitar, para regressar depois ao conforto das suas casas nas cidades.
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Reportagem "Corografia Insólita", da autoria de Humberto Vasconcelos, publicada no Diário de Notícias de 01/12/1996
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quinta-feira, 10 de março de 2011
Terras do Portugal profundo
(Nascer num local com um nome bizarro é carregar um fardo pesado num país em que gostamos muito de nos rir dos outros)
Aldeia das Gorduras, dos Ruins, dos Grilos, ou dos Porcos são nomes que só se podem encontrar em Portugal, baptizando terras.
É nos países mediterrânicos que a toponímia mais se aproxima da linguagem de todos os dias e que acaba por deixar uma marca.
Se na altura do «baptismo» o nome nada tinha de perverso, com o evoluir da língua, algumas das palavras tomaram outros sentidos, e os naturais renegaram o que antes era natural, por agora ser depreciativo.
Você gostava de dizer a alguém que nascera em Paneleiros de Baixo, sito na freguesia de São Gonçalo, na Guarda? Claro que muitas delas moveram os interesses para mudar de nome. Mas outras não.
Algumas, aproveitando-se do teor picante do seu nome, fazem com ele bom dinheiro para engordar os cofres e conseguirem fazer uma festa anual de arromba.
É o caso de Picha, pequena localidade perto de Pedrógão Grande, na Zona do Pinhal. Quem não deseja ter um cartaz anunciando «Divirta-se com as grandes festas na Picha»?
Outros locais há que não vêm no dicionário, e que se criaram com histórias que mais parecem vir da noite dos tempos ou de histórias que fariam as delícias de um Jorge Amado.
No litoral alentejano, lá para as bandas de Odemira, mais propriamente quando a estrada que vem de Milfontes entronca na que vai para Lagos, mesmo ali à quina, está um letreiro: «Portas do Transval.».
A este nome bizarro está ligada uma história à boa maneira alentejana, mas de que se não conseguem definir os contornos entre a verdade e a lenda. «São histórias da charneca», dizem os charnequenhos.
Mas aqui fica a história.
Dois jovens irmãos que emigraram para a África do Sul e ali fizeram vida vieram de volta e herdaram umas terras, ao virar da estrada de Milfontes para Odemira.
O que mais soube cair nas graças do pai ficou com o melhor monte e, em homenagem à terra africana onde ganhara fartos cabedais, botou-lhe o nome de Portas do Transval.
O outro irmão ficou com um montinho, que ficava por detrás do primeiro.
Cheio de raiva e por vingança terá chamado ao seu monte, que lhe calhou em partilhas..., as «Portas do Cu».
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Reportagem "Corografia Insólita", da autoria de Humberto Vasconcelos, publicada no Diário de Notícias de 01/12/1996
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Aldeia das Gorduras, dos Ruins, dos Grilos, ou dos Porcos são nomes que só se podem encontrar em Portugal, baptizando terras.
É nos países mediterrânicos que a toponímia mais se aproxima da linguagem de todos os dias e que acaba por deixar uma marca.
Se na altura do «baptismo» o nome nada tinha de perverso, com o evoluir da língua, algumas das palavras tomaram outros sentidos, e os naturais renegaram o que antes era natural, por agora ser depreciativo.
Você gostava de dizer a alguém que nascera em Paneleiros de Baixo, sito na freguesia de São Gonçalo, na Guarda? Claro que muitas delas moveram os interesses para mudar de nome. Mas outras não.
Algumas, aproveitando-se do teor picante do seu nome, fazem com ele bom dinheiro para engordar os cofres e conseguirem fazer uma festa anual de arromba.
É o caso de Picha, pequena localidade perto de Pedrógão Grande, na Zona do Pinhal. Quem não deseja ter um cartaz anunciando «Divirta-se com as grandes festas na Picha»?
Outros locais há que não vêm no dicionário, e que se criaram com histórias que mais parecem vir da noite dos tempos ou de histórias que fariam as delícias de um Jorge Amado.
No litoral alentejano, lá para as bandas de Odemira, mais propriamente quando a estrada que vem de Milfontes entronca na que vai para Lagos, mesmo ali à quina, está um letreiro: «Portas do Transval.».
A este nome bizarro está ligada uma história à boa maneira alentejana, mas de que se não conseguem definir os contornos entre a verdade e a lenda. «São histórias da charneca», dizem os charnequenhos.
Mas aqui fica a história.
Dois jovens irmãos que emigraram para a África do Sul e ali fizeram vida vieram de volta e herdaram umas terras, ao virar da estrada de Milfontes para Odemira.
O que mais soube cair nas graças do pai ficou com o melhor monte e, em homenagem à terra africana onde ganhara fartos cabedais, botou-lhe o nome de Portas do Transval.
O outro irmão ficou com um montinho, que ficava por detrás do primeiro.
Cheio de raiva e por vingança terá chamado ao seu monte, que lhe calhou em partilhas..., as «Portas do Cu».
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Reportagem "Corografia Insólita", da autoria de Humberto Vasconcelos, publicada no Diário de Notícias de 01/12/1996
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sexta-feira, 4 de março de 2011
Corografia Insólita

De norte a sul do nosso pais há localidades com designações que não lembram ao Diabo.
Alguns desses lugares têm uma toponímia com toques eróticos, diremos mesmo que, em linguagem de hoje, usada sobretudo nos núcleos urbanos, é um pouco pesada. Há outras povoações com nomes relativos a animais, sentimentos ou até situações ligadas à gastronomia.
Adão deu nome a uma terra portuguesa, mas em contrapartida não há nenhuma que tenha sido baptizada com o de Eva
Há aldeias com nomes ligados a sentimentos nobres: Amor fica em Leiria e Bom Amor em Torres Novas
À Margem
ALDEIAS. Localidades cujo nome tem início com «Aldeia», como refere o «Novo Dicionário Corográfico de Portugal», são mais que muitas. Uma delas pode, mesmo, levar a interpretações machistas, como a das Mulheres, na região de Carvalhal.
PAPA LEITE. Localidade perto de São Sebastião dos Carros onde se faz um excelente queijo Serpa. Tem uma outra, logo ao pé, de nome Papa Leitinho, onde também os roupeiros produzem o famoso queijo.
MARAFANHA. Monte ao pé de Odemira a que se atribui uma «universidade» cujo grau se atribui a certas pessoas que gostam muito de emitir sentenças.
MESSEJANA. Localidade do interior alentejano cujos naturais levam a mal que se lhes pergunte pela praia. Consta que houve mesmo uma deliberação antiga da autarquia que determinava a entrega de areia para essa praia.
PAI. Nome que muitas terras usam, das quais as mais curiosas são Pai Barbas (Pédrógão Grande), Pai Cabeça (Tomar), Pai das Donas (Arganil), Pai Torto (Mirandela) e Pai do Vento (Cascais).
ÁGUA. Há terra com nome de Salgada, mas não há doce. E há a dos Peixes, Derramada, de Todo o Ano, Boa, do Leite, de Prata, Branca e das Casas. Denominações que tenham a ver com água são dezenas.
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Reportagem "Corografia Insólita", da autoria de Humberto Vasconcelos, publicada no Diário de Notícias de 01/12/1996
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Alguns desses lugares têm uma toponímia com toques eróticos, diremos mesmo que, em linguagem de hoje, usada sobretudo nos núcleos urbanos, é um pouco pesada. Há outras povoações com nomes relativos a animais, sentimentos ou até situações ligadas à gastronomia.
Adão deu nome a uma terra portuguesa, mas em contrapartida não há nenhuma que tenha sido baptizada com o de Eva
Há aldeias com nomes ligados a sentimentos nobres: Amor fica em Leiria e Bom Amor em Torres Novas
À Margem
ALDEIAS. Localidades cujo nome tem início com «Aldeia», como refere o «Novo Dicionário Corográfico de Portugal», são mais que muitas. Uma delas pode, mesmo, levar a interpretações machistas, como a das Mulheres, na região de Carvalhal.
PAPA LEITE. Localidade perto de São Sebastião dos Carros onde se faz um excelente queijo Serpa. Tem uma outra, logo ao pé, de nome Papa Leitinho, onde também os roupeiros produzem o famoso queijo.
MARAFANHA. Monte ao pé de Odemira a que se atribui uma «universidade» cujo grau se atribui a certas pessoas que gostam muito de emitir sentenças.
MESSEJANA. Localidade do interior alentejano cujos naturais levam a mal que se lhes pergunte pela praia. Consta que houve mesmo uma deliberação antiga da autarquia que determinava a entrega de areia para essa praia.
PAI. Nome que muitas terras usam, das quais as mais curiosas são Pai Barbas (Pédrógão Grande), Pai Cabeça (Tomar), Pai das Donas (Arganil), Pai Torto (Mirandela) e Pai do Vento (Cascais).
ÁGUA. Há terra com nome de Salgada, mas não há doce. E há a dos Peixes, Derramada, de Todo o Ano, Boa, do Leite, de Prata, Branca e das Casas. Denominações que tenham a ver com água são dezenas.
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Reportagem "Corografia Insólita", da autoria de Humberto Vasconcelos, publicada no Diário de Notícias de 01/12/1996
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
(Quase) Todos Os Nomes
Mudam-se os tempos, mudam-se os nomes. Ou não! 2010 foi ano de bebés registados com os mais portugueses dos nomes. Foi o ano de todas as Marias e de todos os Rodrigos, conforme a lista enviada ao JN pelo Ministério da Justiça e que compila os nomes com os quais as crianças nascidas no ano passado foram registadas.
Ao que parece, foram-se as Cátias Vanessas imortalizadas por anos de piadas fáceis, ecoadas dos sketches de Hermam José . Os 40 primeiros nomes mais escolhidos em 2010 são do mais tradicional que há, exceptuando as 1848 Laras. O nome apesar de antigo, remonta aos romanos, não será tradicionalmente português.
De acordo com a lista do Instituto Nacional de Registos e Notariado, no top 10 dos nomes de menina estão: Maria, Leonor, Beatriz, Matilde, Ana, Mariana, Lara, Inês, Carolina e Margarida. Os dez nomes meninos mais populares foram: Rodrigo, João, Martim, Afonso, Tomás, Tiago, Gonçalo, Diogo, Francisco e Guilherme. A mesma lista há 12 anos incluía Joana, Catarina, Daniela, Sara e Diana, Pedro, José, André, Miguel, Ricardo e Bruno.
Bento XVI apelou recentemente à escolha de nomes cristãos para as crianças. "Cada criança baptizada adquire o carácter de filho de Deus a partir do seu nome cristão, sinal inequívoco de que o Espírito Santo faz com que renasça de novo no seio da Igreja", disse Bento XVI.
O apelo do papa ainda não terá surtido efeito, mas a verdade é que Espanha e Itália seguem a tendência portuguesa e lá, como cá, são os nomes tradicionais os mais escolhidos para registar as crianças. Francesco e Giulia, em Itália, Alejandro e Maria, em Espanha.
Da lista de 2010, constam, ainda, Iara (469) e Yara (236), Bianca (433), Diego (342), Ariana (312), Núria (225), Jéssica (213) Nicole (193), Igor (72) Lisandro (66), Ivan (65), Kyara (50), Larissa (39). Quévin, Sophia, Lady, Cloé, Artemiy, Jonatã são algumas das inovações do rol de nomes de 2010, que conta ainda com registos únicos para nomes como Adinalda, Timofio ou Antía.
Maria Cláudia Monteiro, Jornal de Notícias, 23/01/2011
Saber mais sobre nomes próprios em Portugal ver o blog Nomes Portugueses:
http://nomesportugueses.blogspot.com/2011/01/lista-oficial-dos-nomes-mais-escolhidos.html
Ao que parece, foram-se as Cátias Vanessas imortalizadas por anos de piadas fáceis, ecoadas dos sketches de Hermam José . Os 40 primeiros nomes mais escolhidos em 2010 são do mais tradicional que há, exceptuando as 1848 Laras. O nome apesar de antigo, remonta aos romanos, não será tradicionalmente português.
De acordo com a lista do Instituto Nacional de Registos e Notariado, no top 10 dos nomes de menina estão: Maria, Leonor, Beatriz, Matilde, Ana, Mariana, Lara, Inês, Carolina e Margarida. Os dez nomes meninos mais populares foram: Rodrigo, João, Martim, Afonso, Tomás, Tiago, Gonçalo, Diogo, Francisco e Guilherme. A mesma lista há 12 anos incluía Joana, Catarina, Daniela, Sara e Diana, Pedro, José, André, Miguel, Ricardo e Bruno.
Bento XVI apelou recentemente à escolha de nomes cristãos para as crianças. "Cada criança baptizada adquire o carácter de filho de Deus a partir do seu nome cristão, sinal inequívoco de que o Espírito Santo faz com que renasça de novo no seio da Igreja", disse Bento XVI.
O apelo do papa ainda não terá surtido efeito, mas a verdade é que Espanha e Itália seguem a tendência portuguesa e lá, como cá, são os nomes tradicionais os mais escolhidos para registar as crianças. Francesco e Giulia, em Itália, Alejandro e Maria, em Espanha.
Da lista de 2010, constam, ainda, Iara (469) e Yara (236), Bianca (433), Diego (342), Ariana (312), Núria (225), Jéssica (213) Nicole (193), Igor (72) Lisandro (66), Ivan (65), Kyara (50), Larissa (39). Quévin, Sophia, Lady, Cloé, Artemiy, Jonatã são algumas das inovações do rol de nomes de 2010, que conta ainda com registos únicos para nomes como Adinalda, Timofio ou Antía.
Maria Cláudia Monteiro, Jornal de Notícias, 23/01/2011
Saber mais sobre nomes próprios em Portugal ver o blog Nomes Portugueses:
http://nomesportugueses.blogspot.com/2011/01/lista-oficial-dos-nomes-mais-escolhidos.html
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Que raio de nomes!

Famílias Coito, Pila, Virgem, Mimo...
Ao nome próprio juntaram a herança da família – o sobrenome que faz furor em qualquer repartição pública Cinderela gosta de ouvir a Lady Gaga e não perde os ‘Morangos com Açúcar' mas isso não significa a modernização do clássico infantil. Significa que há sete anos, no Alentejo, um casal escolheu para a filha um nome menos comum nos bilhetes de identidade do que nos contos de fadas. Cinderela de Fátima Fava anda na escola primária e dorme num quarto cor-de-rosa no andar de cima da tasca dos pais. Só tem uma irmã, ao contrário da personagem da história, e está longe de ser uma ‘Gata Borralheira'.
Portugal Feliz tem 79 anos e carecem-lhe razões para acreditar em dias melhores, numa altura da vida em que se multiplicam as maleitas e as urgências no centro de saúde. Está acamado, frágil e triste, à semelhança do país que lhe dá o nome.
Paixão Jesus, de 85 anos, não se esquece do dia em que o marido não voltou para jantar - "já lá vão mais de 50 anos que fugiu para o Brasil" - e lhe deixou quatro filhos para criar, um deles ainda na barriga; nunca mais se apaixonou. Estas são algumas das vidas por detrás dos nomes menos comuns da lista telefónica: testámos os números e fomos saber como lidam com essa
‘herança' dos pais.
PENETRA MURCHO
António habituou-se desde cedo a que comentassem os apelidos tatuados no BI - tanto que estranha quando a conjugação Penetra Murcho não provoca reacção . "Quando vou a uma repartição pública os funcionários levantam-se com o papelinho na mão e abalam lá para dentro. Para rirem à-vontade, claro, e para mostrar aos colegas para que eles se riam também. Quando era mais jovem até me deu bastante jeito com as meninas. Naquela altura demorava-se muito para ter conversas malandras mas eu tinha sempre o pretexto do meu apelido para tentar o assunto, era uma desculpa".
O Penetra Murcho deu-lhe mais proveito do que prejuízo numa altura "em que quando se via o joelho de uma mulher já era um ai meu Deus". Hoje, António tem 70 anos e já é raro ouvir: ‘Então mas como é que você faz isso, homem?' e de responder ‘fazer o quê? Aquilo murcho não penetra'. E se o apelido lhe deu motivos para rir, a vida deu-lhe trabalho desde cedo: "Comecei no campo aos nove anos, passei pela construção civil, fui bombeiro e acabei nos combustíveis". E, desde há quatro anos, deu-lhe "uma saudade imensa" da mulher que partiu.
Ismael Gato Pila partilha com Penetra Murcho o sentimento português e um apelido capaz de provocar o riso nos mais cinzentos.
"Andava embarcado e quando chegava aos bares do porto de Leixões eram logo as miúdas: ‘Olha a pila do gato já chegou'. Agora estou na terceira idade, já ninguém me diz isso". A marinha mercante foi a solução feliz para conseguir pôr na mesa a comida que a pesca em Sesimbra não lhe dava, bem como um filho na barriga de uma cabo--verdiana que conheceu num porto distante.
"Fiz jus ao meu nome e à minha profissão. Dizem que os marinheiros têm uma namorada em cada porto, eu não tinha em todos mas tinha em alguns". No móvel grande da sala as fotos dos que já partiram servem de pretexto para falar do nome: "Aqui está o meu bisavô Pila, o meu avô Pila, o meu pai Pila e a minha mulher que tinha a minha Pila. A minha filha herdou o nome mas não o quis pôr na minha neta para ela não ser gozada na escola como ela foi". Da família alargada conheceu mais parentes com igual apelido: "A Pila Paixão é minha prima, o Cruz Pila é meu sobrinho, o Cristão Pila, o Pila Rocha, o Borracha Pila. Alguns já morreram mas eram todos aqui da zona".
Em Lisboa, a Domingo encontrou mais uma homónima: Maria Pila Cavalheira já garantiu 90 anos de vida, repartidos por Lisboa e Penamacor, e será das últimas, "senão a última", com esta combinação. "Os outros que o tinham foram morrendo, resto eu.
Sempre passou despercebido porque eu só dizia o primeiro e o último". António Ressurreição Marques Chupa sempre assumiu - "com orgulho" - o último nome. "Claro que as pessoas acham graça ao Chupa mas nunca foram indelicadas". O empresário de carpintaria reformado preferiu, apesar disso, não o passar aos descendentes.
COITO BOM
‘Ai homem, que nome que você tem' é frase que Abel Coito Bom, rijo para os 83 anos que mostra o registo, ouve com assiduidade. "Metem-se muito comigo, porque este nome é malandreco, foi o meu pai que mo passou quando eu nasci. Mas não tive muitas namoradas: estou casado com a minha mulher faz 60 anos no dia 23 e somos muito felizes".
Se o nome ajudou ou não ao casamento duradouro, o segredo fica dentro das paredes da casa onde moram, em Arrouquelas, no concelho de Rio Maior. Só podemos adiantar que o pé ligeiro de Abel, em tudo quanto era bailarico, ajudou a cativar o coração de Lídia. Um rapaz e uma rapariga foram os frutos do enlace e a ambos só chegou o Bom, o Coito perdeu-se pelo caminho "para não ficarem com um nome muito comprido". Abel, que foi corticeiro, trabalhou em lagares de azeite, numa fábrica de tomate e numa camioneta de farinhas, é apesar disso mais conhecido por ‘Ti Sequinho' do que por Coito Bom. "Era gordo quando era novo e começaram a chamar-me assim".
A Isabel Azeitona Meio-Tostão não arranjaram nunca alcunha. "Talvez porque o meu nome tem mesmo a ver com a minha vida: apanhei muita azeitona e vi poucos tostões na carteira". O nome foi prenúncio de uma vida de trabalho no campo, de mãos na terra, na serventia dos outros. Herdou dos avós os dois fados mas maior peso têm os desgostos que carrega. "Morreram-me as pessoas mais importantes, o meu marido e filho. Os vivos estão longe, os mortos é que estão perto. Se calhar Deus quis assim, que eu ficasse para lhes tratar das sepulturas todos os dias".
CANECA PENETRA
Quando tem de dizer o apelido, o motorista de pesados João Manuel Caneca Penetra nem pestaneja mas há quem o faça por ele.
"As pessoas não conseguem evitar rir, ficam espantadas e até são malandras por causa do Penetra, mas eu tenho muito orgulho e não mudava de nome por nada porque é a herança dos meus pais". Ursília Mosca Disca, António Beleza Mau e Manuel Baixinho Graxinha (que até tem 1,73 m de altura) partilham de semelhante convicção.
Com Beatriz foi diferente - foi ela que escolheu o apelido. "Se brincavam comigo na escola por eu me chamar Virgem? Mas como, se eu só comecei a ser Virgem depois do casamento? Quem era Virgem era o meu marido" - responde a idosa de 66 anos, sem se aperceber da graça, à pergunta pelo telefone da Domingo. A chamada seguinte levou-nos a Olhão e a um homem que cumpriu bem os apelidos que carrega: Jacinto Pai Avô teve três filhos e nove netos e não se curvou à missão que o nome impunha.
João Ratão Pires, proprietário de uma casa de fumeiros, fez o mesmo: encontrou "uma carochinha" e casou com ela, sem ter de a apanhar em nenhuma janela - cresceram juntos no Nordeste Transmontano - e sem cair no caldeirão. Resolvemos testar o número de Ana Carochinha e fazer igual pergunta no que toca a amores. "Encontrei o meu João Ratão na escola onde na altura trabalhávamos".
Domingos Vida Larga também tem cumprido à risca o apelido: os 80 anos são disso prova. "É um bom nome se realmente eu me aguentar por cá, é uma coisa que toda a gente quer mas nem todos têm". A vida de Vida Larga é hoje bem menos preenchida do que era, restam as memórias do tempo em que os mármores o mantinham ocupado e evitavam pensar na solidão que a viuvez trouxe.
ALEGRIA BAGINA
António Alegria Bagina toda a vida ouviu a pergunta ‘você chama-se mesmo Vagina?' e toda a vida respondeu que não: ‘Que é Bagina com B'. Quem nos conta a saga não é o dono do apelido mas sim a mulher, Ana. "Olhe, o meu marido apesar de ter Alegria no nome só foi razoavelmente feliz. Morreu-lhe uma filha de 22 anos debaixo do comboio e nunca mais foi o mesmo. Há onze anos também teve um AVC e isso deitou-o muito abaixo". Também é a mulher de Mimo Pires que fala ao telefone. "Ele está muito surdo, mas se é para falar do nome posso-lhe dizer que não tem nada a ver: É um velhote rezingão", graceja Bárbara, de Vila Nova de Paiva.
Distante no mapa mas perto no nome está a família Mimo de Mem Martins. Dino Amado Mimo, um impressor litógrafo de 50 anos, passou à mulher Paula e aos dois filhos - um militar do Exército e uma estudante universitária - o último nome e não raras vezes perguntam ao clã se são da família do palhaço de uma conhecida operadora telefónica.
Já Vitória Liberdade Sopa viveu 44 anos sem conhecer o significado dos nomes próprios escolhidos pelos pais quando nasceu. A revolução de Abril mostrou-lho em todo o esplendor quando ao passar na rua onde vivia, em Ponta de Marfil, no Algarve, lhe bateram palmas. "Foi o dia em que mais ouvi o meu nome. Aí tudo começou a fazer sentido. As pessoas antes diziam-me: ‘Ai se o Salazar sabe o teu nome vais presa, Vitória Liberdade'". Tratou de fazer jus ao do meio ao escolher ficar solteira - apesar de ter casado os irmãos todos - "tal como não fui bailarina ou cantora também não quis casar. De mente sempre fui livre naquilo que pude".
CINDERELA DE FÁTIMA
Cinderela gosta da Lady Gaga e de ‘Morangos com Açúcar' mas também de chupa-chupas vermelhos e de brincar com o gato Riscas que a segue para todo o lado. Deve ao pai o nome, "porque quando era solteiro chamava às raparigas todas Cinderela".
Acresce-lhe o Fátima porque a gravidez de Lina "foi de risco" e quiseram agradecer. A menina sabe que tem "um nome de uma princesa muito bonita" e quando está na tasca dos pais e algum freguês pergunta o nome a resposta é sempre a mesma: ‘Pago-te um copinho de vinho se adivinhares'.
COITO PITA DE PAIS PARA FILHOS (homens)
Ele tem um amigo que se chama Piló e um sócio Tranquada. O advogado e deputado do PSD-Madeira, José Coito Pita, costuma brincar com os amigos. "Nós podíamos fazer uma sociedade: ‘Trancada, Coito e Piló'", conta. Mas de brincadeiras já chega. Que não venha ninguém de fora buscar segundos significados na sua graça. "É nome de pessoa e não tem qualquer outro significado, embora as palavras tenham sinónimos", sentencia Coito Pita.
Mais do que tudo, é uma herança que tem passado de pai para filho e tem origem na Ponta do Sol, Madeira. Mas só entre homens. A filha do deputado regional já não carrega o apelido paterno. "Em homens não há problemas, mas compreendo que uma senhora não gostasse de ter esse apelido", conclui.
Manuel Coito Pita, de 42 anos, que carrega os mesmos apelidos do advogado e a morada na Madeira, confessa: "As pessoas brincam mais comigo por eu ter o nome do Coito Pita conhecido, o deputado, do que pelo significado dos nomes. Perguntam-me sempre se sou família dele e eu sorrio, porque sou mais malandreco do que qualquer pessoa".
NOTAS
28 PILAS
Há 28 pessoas com o apelido Pila, 178 com Penetra e 433 com Coito na lista telefónica de 2010.
COMUM
Os nomes mais registados em Portugal são José e Maria. O apelido mais frequente é Silva.
PEDIDOS
A média anual dos pedidos de mudança de nome nas Conservatórias de Registo Civil é 650 pessoas.
Marta Martins Silva / Correio da Manhã
Nota: Esta mensagem não permite comentários porque o objectivo do mesmo é apenas informativo.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
O Rosa do Egipto

Os portugueses estão de parabéns pelos nomes que souberam dar às suas freguesias. É a chamada imaginação autárquica. Repare-se: se se fala de corpo humano há um Nariz em Esgueira, umas Ancas em Anadia, umas Canelas em Estarreja, os Colos ficam em Odemira e pode optar-se por uma Cabeça Gorda em Beja ou uma Cabeça Boa em Moncorvo. O Amor é em Leiria, mas os Beijos dão-se em Carregal do Sal, embora a Desejosa seja de Tabuaço. As Porreiras são de Paredes de Coura mas o Vale de Prazeres é no Fundão. Se a Água de Pau de Lagoa (Açores) se vai abaixo, pode ser um Vale de Azares em Celorico da Beira, que é como quem diz Sarilhos Grandes no Montijo ou Sarilhos Pequenos na Moita. A Aldeia das Dez é em Oliveira do Hospital, mas Trinta é na Guarda onde também fica a Pega, que é uma Lapa dos Dinheiros em Seia. Se o Rio Cabrão fica em Arcos de Valdevez, é na Covilhã que o Boidobra. Se o Fiscal de Amares aparece, é melhor chamar o Santo Amador de Moura, senão aparece a Nossa Senhora da Graça dos Degolados em Campo Maior ou o São Sebastião dos Carros em Mértola. Há que fugir do Campo de Víboras em Vimioso ou da Ratoeira em Celorico da Beira. O Algarve é uma telenovela em Olhos d'Água de Albufeira. Os Gémeos são de Celorico de Basto e os Gagos da Guarda, sendo os Cabeçudos de Famalicão e os Calvos de Guimarães, ficando o Sabugal com os Alfaiates. Vá para fora cá dentro é mais fácil em Cuba (Cuba), Navarra que fica em Braga, podendo dar-se uma saltada a França em Chaves, optar pelo Montenegro em Faro, fazer férias na Guadalupe (Graciosa), escolher a Bretanha em Ponta Delgada, ou fazer turismo religioso em Meca que é ali em Alenquer. Perante este quadro, como deve chamar-se o presidente da Associação Nacional de Freguesias? Podem não acreditar mas GENTE garante que o seu nome é mesmo (José Manuel) Rosa do Egipto! Naturalmente!
secção GENTE, Vidas (Expresso), 15/09/2001
secção GENTE, Vidas (Expresso), 15/09/2001
coordenação de Pedro Andrade
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Autarcas
José Velhinho Amarelinho (PS), candidato à câmara de Aljezur, e José da Avó (PSD), a votos em Benavente, são exemplos de candidatos às autárquicas cuja originalidade do nome marca de antemão a diferença em relação aos concorrentes.
Um pouco por todo o país, são vários os exemplos de candidatos com peculiaridades no nome, fenómeno comum a todos os partidos e que, inclusive, é também visível em candidaturas independentes.
Bengalinha Pinto (PS), em Viana do Alentejo, tentará destronar a maioria absoluta da CDU no concelho e sem bengalas. Por seu turno, ainda no distrito de Évora, Manuel Condenado (CDU), tentará condenar os adversários à derrota pela quarta e última vez em Vila Viçosa.
Em Moura, no distrito de Beja, José Maria Pós-de-Mina (CDU), procura também o quarto mandato junto dos 14 mil eleitores do concelho. Ainda no distrito alentejano, João Penetra (CDU), tentará "penetrar" no eleitorado de Alvito, que em 2005 deu vitória a um movimento independente.
Em conjunto com frases de campanha e cartazes em todo o país, os nomes mais curiosos de muitos candidatos prendem a atenção dos eleitores em Verão pré-eleições.
No distrito de Setúbal, Joaquim Café Granito (PSD) procura, em Alcácer do Sal, aumentar os votos nos "laranjas", que em 2005 recolheram 9,9 por cento da preferência do eleitorado no concelho. Não muito longe, em Sesimbra, é Augusto Pólvora (CDU) quem tentará fazer explodir os votos para tentar derrotar os candidatos do PS e PSD e repetir a vitória de 2005.
Joaquim Raposo (PS), actual presidente da autarquia da Amadora, que se recandidata este ano pela última vez ao cargo, encabeça uma série de candidatos com apelidos do reino animal, casos de José Manuel Aranha Figueiredo (CDU), cabeça-de-lista em Almeirim, ou António Patinho Pereira (PS), que vai a votos em Serpa.
Manuel Maria Leitão (PS), em Arraiolos, João Grilo, do movimento independente MUDA, no Alandroal, Pedro Pardal (BE), em São João da Madeira, Honorato Robalo (CDU), na Guarda, Filipe Camelo (PS), em Seia, e Irene Barata (PSD), em Vila de Rei, são outros exemplos.
Os nomes originais dos candidatos autárquicos são mais vincados nos desconhecidos do grande público, mas são também alguns os políticos de longo historial com nomes pouco comuns, casos de Fernando Ruas (PSD), autarca de Viseu (cidade das rotundas) e líder da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) ou Rui Rio (PSD), presidente da Câmara Municipal do Porto (cidade do Douro).
Em Mafra, o presidente José Ministro dos Santos (PSD) recandidata-se ao último mandato, por força da lei da limitação de mandatos e talvez um dia ocupe um lugar num governo...
Se Santana Lopes (PSD), em Lisboa, é um nome por demais conhecido do eleitorado português e tentará conquistar a capital a António Costa, já Santinha Lopes (PS), em Mourão, presidente da autarquia, procura em 2009 novo triunfo no concelho alentejano, o que tem menos eleitores do distrito de Évora.
As eleições autárquicas decorrem a 11 de Outubro, sendo eleitos no sufrágio 308 presidentes de câmaras municipais, 308 presidentes de assembleias municipais e 4.260 presidentes de juntas de freguesia.
(Agência Lusa) 19/04/2007
Um pouco por todo o país, são vários os exemplos de candidatos com peculiaridades no nome, fenómeno comum a todos os partidos e que, inclusive, é também visível em candidaturas independentes.
Bengalinha Pinto (PS), em Viana do Alentejo, tentará destronar a maioria absoluta da CDU no concelho e sem bengalas. Por seu turno, ainda no distrito de Évora, Manuel Condenado (CDU), tentará condenar os adversários à derrota pela quarta e última vez em Vila Viçosa.
Em Moura, no distrito de Beja, José Maria Pós-de-Mina (CDU), procura também o quarto mandato junto dos 14 mil eleitores do concelho. Ainda no distrito alentejano, João Penetra (CDU), tentará "penetrar" no eleitorado de Alvito, que em 2005 deu vitória a um movimento independente.
Em conjunto com frases de campanha e cartazes em todo o país, os nomes mais curiosos de muitos candidatos prendem a atenção dos eleitores em Verão pré-eleições.
No distrito de Setúbal, Joaquim Café Granito (PSD) procura, em Alcácer do Sal, aumentar os votos nos "laranjas", que em 2005 recolheram 9,9 por cento da preferência do eleitorado no concelho. Não muito longe, em Sesimbra, é Augusto Pólvora (CDU) quem tentará fazer explodir os votos para tentar derrotar os candidatos do PS e PSD e repetir a vitória de 2005.
Joaquim Raposo (PS), actual presidente da autarquia da Amadora, que se recandidata este ano pela última vez ao cargo, encabeça uma série de candidatos com apelidos do reino animal, casos de José Manuel Aranha Figueiredo (CDU), cabeça-de-lista em Almeirim, ou António Patinho Pereira (PS), que vai a votos em Serpa.
Manuel Maria Leitão (PS), em Arraiolos, João Grilo, do movimento independente MUDA, no Alandroal, Pedro Pardal (BE), em São João da Madeira, Honorato Robalo (CDU), na Guarda, Filipe Camelo (PS), em Seia, e Irene Barata (PSD), em Vila de Rei, são outros exemplos.
Os nomes originais dos candidatos autárquicos são mais vincados nos desconhecidos do grande público, mas são também alguns os políticos de longo historial com nomes pouco comuns, casos de Fernando Ruas (PSD), autarca de Viseu (cidade das rotundas) e líder da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) ou Rui Rio (PSD), presidente da Câmara Municipal do Porto (cidade do Douro).
Em Mafra, o presidente José Ministro dos Santos (PSD) recandidata-se ao último mandato, por força da lei da limitação de mandatos e talvez um dia ocupe um lugar num governo...
Se Santana Lopes (PSD), em Lisboa, é um nome por demais conhecido do eleitorado português e tentará conquistar a capital a António Costa, já Santinha Lopes (PS), em Mourão, presidente da autarquia, procura em 2009 novo triunfo no concelho alentejano, o que tem menos eleitores do distrito de Évora.
As eleições autárquicas decorrem a 11 de Outubro, sendo eleitos no sufrágio 308 presidentes de câmaras municipais, 308 presidentes de assembleias municipais e 4.260 presidentes de juntas de freguesia.
(Agência Lusa) 19/04/2007
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Maria Albertina

Maria Albertina
Maria Albertina deixa que eu te diga....
Maria Albertina deixa que eu te diga....
Esse teu nome eu sei que não é um espanto mas
é cá da terra e tem
tem muito encanto
Esse teu nome eu sei que não é um espanto mas
é cá da terra e tem
tem muito encanto
Maria Albertina como foste nessa
de chamar Vanessa à tua menina
Maria Albertina como foste nessa
de chamar Vanessa à tua menina
Maria Albertina deixa que eu te diga....
Maria Albertina deixa que eu te diga....
Esse teu nome eu sei que não é um espanto mas
é cá da terra e tem
tem muito encanto
Esse teu nome eu sei que não é um espanto mas
é cá da terra e tem
tem muito encanto
Maria Albertina como foste nessa
de chamar Vanessa à tua menina
Maria Albertina como foste nessa
de chamar Vanessa à tua menina
Maria Albertina deixa que eu te diga....
Maria Albertina deixa que eu te diga....
Esse teu nome eu sei que não é um espanto mas
é cá da terra e tem
tem muito encanto
Esse teu nome eu sei que não é um espanto mas
é cá da terra e tem
tem muito encanto
Maria Albertina como foste nessa
de chamar Vanessa à tua menina
Maria Albertina como foste nessa
de chamar Vanessa à tua menina
que é bem cheiinha e muito moreninha
Letra de António Variações
Humanos - Humanos (2004)
VANESSA DE VARIAÇÕES É REAL (19.08.2005)
Vanessa Valentina Lima da Silva Marques Henriques tem 25 anos e podia muito bem ser uma jovem como qualquer outra, não fosse o facto de ter servido de inspiração para uma música inédita de António Variações. ‘Maria Albertina’, um tema ‘ressuscitado’ pelos Humanos, foi uma das canções mais badaladas do ano.
Para surpresa dos fãs, a Vidas [Correio da Manhã] descobriu que as duas protagonistas da música são reais e entrevistou uma delas. Foi com muita emoção que Vanessa recordou a mãe, Maria Albertina, amiga de António Variações, que infelizmente não viveu o suficiente para escutar a música que este lhe dedicou.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Nomes das nossas terras

As terras com nomes mais estranhos de Portugal.
Há lugares e freguesias, em Portugal, com os nomes mais esdrúxulos que se possa imaginar. Sabe onde ficam, por exemplo, Vila Nova do Coito, Vale da Rata ou Vergas? Descubra.
ANGÚSTIAS - Paredes de Coura
CARNE ASSADA - Terrugem - Sintra
BEXIGA - Tomar
CABRÕES - Santo Tirso
DESERTO - Alcoutim
JERUSALÉM DO ROMEU - Mirandela
ORELHUDO - Coimbra
PAITORTO - Mirandela
PÉS ESCALDADOS - Arganil
PICHA - (perto da VENDA DA GAITA ) Pedrógão Grande
PORCA - Ponte de Lima
PURGATÓRIO - Albufeira
QUINTA DE COMICHÃO - Guarda
RIO CABRÃO - Arcos de Valdevez
VALE DA RATA - Viana do Alentejo
VENDA DAS PULGAS - Mafra
VERGAS - Vagos
VILA NOVA DO COITO - Santarém
Sara Vieira, Visão, 07/05/2010
A-da-Gorda (Mafra)
Aguçadoura (Póvoa de Varzim)
Aldeia (S.Pedro do Sul)
Aldeia das Dez (Oliveira do Hospital)
Aliviada (Marco de Canaveses)
Alto do Indio (Sobreda - Almada)
Amor (Leiria)
Anais (Ponte de Lima)
Ancas (Anadia)
Angústias (Paredes de Coura)
Antelas (Oliveira de Frades)
Às Dez (Angra do Heroísmo)
A-Ver-O-Mar (Póvoa de Varzim)
Bacharela (Leiria)
Bagaceira (Calheta)
Baleia (Mafra)
Besteiros (Loulé, Tavira, Paredes)
Bexiga (Tomar)
Bicha (Gondomar)
Bicho (Santo Tirso)
Boidobra (Covilhã)
Buraca (Amadora)
Cabeça do Poço (Vila de Rei)
Cabeças (Tomar)
Cabeçudos (Marvão)
Cabrão (Ponte de Lima)
Cabrões (Santo Tirso)
Cachamuço (S.Pedro do Sul)
Cama Porca (Alhandra)
Campa do Preto (Maia)
Canhoso (Covilhã)
Carne Assada (Terrugem - Sintra)
Carrascas (Alcobaça)
Casais da Besteira (Santarém)
Casal de Água de Todo o Ano (Abrantes)
Casal Jorge Dias (Leiria)
Casal Marmelo (Tomar)
Casal Mil Homens (Leiria)
Catraia do Buraco (Belmonte)
Celadinha (Arouca)
Cemitério (Paços de Ferreira)
Cepos (Arganil)
Chiqueiro (Lousã)
Coina (Barreiro)
Coito (Tomar, Alcoutim, Cinfães, Ferreira do Zêzere, Odemira, Lamego, Tábua)
Colhões (Coimbra)
Colo do Pito (Castro de Aire)
Cornalheira (Meda)
Costas do Cão (Caparica)
Covas da Coina (Seixal)
Coxo (Vila da Praia da Vitória, Oliveira de Azeméis e Felgueiras)
Crucifixo (Tramagal)
Cruz de Pau (Seixal)
Cú de Judas (Faial)
Cuba ( Beja, Porto)
Cunha (Tonda - Tondela)
Deserto (Alcoutim, Coruche e Estremoz)
Dominguizo (Covilhã)
Endiabrada (Aljezur e Odemira)
Esgaravatadouro (Monchique)
Esparrela (Porto de Mós)
Facho (Alcobaça)
Fernandaires (Vila de Rei)
Focinho de Cão (Aljustrel)
Fonte das Eiras (Vila de Rei)
Foros da Catrapona (Seixal)
Ganilhos (Leiria)
Garanhão (Ponte da Barca)
Gulpilhares (Vila Nova de Gaia)
Hospícios (Azeitão)
Imaginário (Caldas da Rainha)
Janarde (Arouca)
Janardo (Caramulo)
Jerusalém do Romeu (Mirandela)
Mal Lavado (Odemira)
Malhada de Meias (Alcochete)
Malhou (Alcanena)
Máquina (Cabeceiras de Basto)
Marrocos (perto do Caramulo)
Massarocas (S.Pedro do Sul)
Mata Cabrões (Ariz, Marco de Canavezes)
Mata Mouros (Vila do Bispo)
Mata Porcas (Lagos e Monchique)
Matacães (Torres Vedras)
Meitriz (Arouca)
Moldes (Arouca)
Monte dos Tesos (Avis)
Namorados (Castro Verde e Mértola)
Olho Cinzeiro (Alcochete)
Orelhudo (Coimbra)
Paitorto (Mirandela)
Paixão (Celorico de Basto e Vieira do Minho)
Paraíso (Vários)
Paredes
Passado (Vila Verde)
Paus (Resende)
Pedaço Mau (Vila Nova de Ourém)
Pedra do Altar (Poença-A-Nova)
Penso (Sernancelhe e Melgaço)
Penteado (Moita)
Pés Escaldados (Arganil)
Pexiligais (Sintra)
Picha (Pedrógão Grande)
Pinhal de Frades (Mafra)
Pobreza (Caminha)
Ponta (Lajes das Flores e Porto Santo)
Porca (Ponte de Lima)
Porreiras (Paredes de Coura)
Pouca Farinha (Santiago do Cacém)
Presa dos Mouros (Lagoa)
Punhete (Valongo)
Purgatório (Albufeira)
Quartos (Vila Verde e Loulé)
Quinta de Comichão (Guarda)
Quinta do Himalaia (Barreiro)
Rabo de Peixe (Açores)
Rabo de Porco (Penela)
Ranholas (Sintra)
Rata (Arruda dos Vinhos, Beja, Castelo de Paiva, Espinho, Maia, Melgaço, Montemor-o-Novo, Santarém, Santiago do Cacém e Tondela)
Rato (Barcelos e e Vila Nova de Famalicão)
Ratoeira (Vila Nova de Cerveira)
Rego do Azar (Ponte de Lima)
Rio Cabrão (Arcos de Valdevez)
Rio Seco dos Marmelos (Ferreira do Alentejo)
Rossas
Rua (na estrada de Aveiro para o Caramulo)
Sampaio (Sesimbra)
Santiago dos Besteiros (arredores do Caramulo)
Sarilhos Pequenos (Moita)
Senhor das Almas (Oliveira do Hospital)
Senhora do Alívio (Baião)
Sítio das Solteiras (Tavira)
Teimosas (Santiago do Cacém)
Terra da Gaja (Lousã)
Tortosendo (Covilhã)
Traseiros (Oliveira de Azeméis)
Vacalouras (Castanheira de Pêra)
Vaginha (Vagos)
Vale Cabrito (Santarém)
Vale Cabrito (Tomar)
Vale da Porca (Macedo de Cavaleiros)
Vale da Rata (Almodôvar - Viana do Alentejo)
Vale de Mortos (Beja)
Vale do Porco (Mogadouro)
Venda da Gaita (Pedrógão Grande)
Venda da Porca (Estremoz)
Venda das Pulgas (Enxara do Bispo - Mafra)
Venda das Raparigas (Benedita - Alcobaça)
Venda dos Pretos (Leiria)
Venda Seca (Sintra)
Vergas (Vagos)
Vila de Punhe (Viana do Castelo)
Vila Nova do Coito (Santarém)
Vilar dos Besteiros (a caminho para o Caramulo)
Vilar dos Prazeres (Ourém)
Vinha da Desgraça (Coruche)
Violência (Paredes de Coura).
sábado, 10 de abril de 2010
domingo, 28 de março de 2010
Género e número de nomes próprios
1. Género
Há nomes próprios masculinos e nomes próprios femininos. Tal como nos nomes comuns de seres humanos, nos nomes próprios o género coincide com o sexo da pessoa. (Embora haja mulheres em cujo nome figure um nome de homem — Maria José; Maria João — e vice-versa — José Maria, Manuel Maria.)
Há nomes que variam em género tal como os nomes próprios (Cláudio, Cláudia; António, Antónia; Francisco, Francisca) e há outros que não (Anabela, *Anobelo; Mafalda, *Mafaldo). Ainda há aqueles que parecem ter correspondência de género, mas que afinal não têm: Fabiana não é o feminino de Fábio, nem Maria, o feminino de Mário...
2. Número
Pela própria natureza da referência que encerram, os nomes próprios não têm número: Rubens não é o plural de Rúben, por exemplo. No entanto, a flexão em número pode ocorrer quando:
(i) um nome próprio gera um nome comum:
Nobel — nobel/nobéis
(ii) há antonomásia:
«Andam para aí certos romeus e julietas...»
«Aqueles cíceros do Parlamento...»
(iii) há quantificação sobre pessoas do mesmo nome:
«Lá vão as três Marias...»
(iv) há necessidade comunicativa específica de pluralização incidente sobre o próprio o nome:
«Agora estão outra vez na moda as Marias» (= voltou a dar-se o nome de Maria a muitas crianças).
Ana Martins :: 11/02/2009
http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=25589
Há nomes próprios masculinos e nomes próprios femininos. Tal como nos nomes comuns de seres humanos, nos nomes próprios o género coincide com o sexo da pessoa. (Embora haja mulheres em cujo nome figure um nome de homem — Maria José; Maria João — e vice-versa — José Maria, Manuel Maria.)
Há nomes que variam em género tal como os nomes próprios (Cláudio, Cláudia; António, Antónia; Francisco, Francisca) e há outros que não (Anabela, *Anobelo; Mafalda, *Mafaldo). Ainda há aqueles que parecem ter correspondência de género, mas que afinal não têm: Fabiana não é o feminino de Fábio, nem Maria, o feminino de Mário...
2. Número
Pela própria natureza da referência que encerram, os nomes próprios não têm número: Rubens não é o plural de Rúben, por exemplo. No entanto, a flexão em número pode ocorrer quando:
(i) um nome próprio gera um nome comum:
Nobel — nobel/nobéis
(ii) há antonomásia:
«Andam para aí certos romeus e julietas...»
«Aqueles cíceros do Parlamento...»
(iii) há quantificação sobre pessoas do mesmo nome:
«Lá vão as três Marias...»
(iv) há necessidade comunicativa específica de pluralização incidente sobre o próprio o nome:
«Agora estão outra vez na moda as Marias» (= voltou a dar-se o nome de Maria a muitas crianças).
Ana Martins :: 11/02/2009
http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=25589
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
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