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terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Serra da Estrela

AÇAFATES Þ cesto baixo, sem tampa e sem asa, feito de verga fina.

ADUEIRO Þ guarda de rebanhos, Pastor.

ALFEIRE Þ gado que não cria.

ALFORGE Þ espécie de saco fechado nas extremidades e aberto ao meio, formando dois compartimentos.

ALMOFARIZ Þ vaso em que se tritura qualquer coisa com um pilão.

ALVÂO Þ gado leiteiro.

ASADO Þ vaso com asas.

BALDIOS Þ sem dono.

BILHAS Þ bojudo e de gargalo estreito.

CALDEIRO Þ recipiente metálico para aquecer liquidos.

CINCHOS Þ aro onde se aperta e espreme o queijo.

CINTAS Þ faixa comprida de pano para apertar ou cingir.

COADOR Þ pano para separar sólidos contidos em liquidos.

DEMANDA Þ à procura de...

FERRADA Þ vasilha onde se recolhe o leite ordenhado

FORMAS Þ moldes

FUEIRES Þ cada um dos paus que se ergue ao lado do carro dos bois.

FRANCELA Þ cincho de expremer queijos

MALHADAS Þ cama para os animais.

MANJEDOURAS Þ espécie de tabuleiro fixo em que se deita o alimento aos animais nas cortes e nas estrebarias.

ODRE Þ saco feito de pele de certos animais para transportar liquidos.

OVIL Þ curral de ovelhas.

PEGUEIRO Þ fabricante ou vendedor de pez.

REIMA Þ glutina.

SURROBECO Þ pano grosseiro semelhante ao burel.

http://homepage.oninet.pt/801mer/serra/_private/Glossario.htm

domingo, 20 de setembro de 2015

Trabalhadores do Comércio


primeiro disco dos Trabalhadores do Comércio - Glossário

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Bocês soindes do Norte, carago ?!..

Moiros e morcões

Desde que foi feita a A1 não há mais razões para que o Porto e Lisboa, o Norte e o Sul, os trabalhadores e os malandros... continuem de costas voltadas uns para os outros. E quem, diz a A1 diz o nosso TêGêBê, o tal de Alfa pendular que vai de Lisboa ao Porto num foguete. Eliminadas as barreiras físícas, restam séculos de isolamento cultural que criaram idiossincracias próprias nos sulistas e nos nortenhos... Há agora outras barreiras (mentais, culturais, sociolinguísticas, gastronómicas, etc.) a vencer. Este teste que aqui deixo é uma homenagem a seu autor (um genial ilustre desconhecido, presumivelmente tripeiro, que nos dá aqui a sua versão 'soft' do termo 'azeiteiro' e de outros vocábulos do linguajar da Invicta) e a todos aqueles, dos moiros aos morcões, que só conhecem uma das duas metades do país que é seu. A sério, respondam ao teste. Vão ver que há um outro Portugal por descobrir. E se, no ano passado, perderam o Porto 2001 Capital Europeia da Cultura, ficam agora redimidos/as no caso de responderem correctamente às 25 perguntas deste questionário. Cibersaudações. L.G.

Post scriptum - Críticas, sugestões e comentários: precisam-se!

_______________________________

Bocês soindes do Norte, carago ?!
Teste (Fonte: E-mail/Internet. Autor desconhecido)
Recolha e adaptação: L. G. (Mai.2002)


Ler a seguir cada uma das perguntas, numereadas de 1 a 25, e ponha uma bolinha na letra (a, b, c, d) correspondente à resposta certa. No final faça o apuramento dos resultados. Uma chave ajudá-lo-á a fazer a correcta interpretação das suas respostas.


1.Se alguém grita, "tens um foguete na perna!", isso significa que:

a) vislumbrou um sinal de nascença no seu tornozelo.
b) descobriu uma mosca pousada na sua coxa.
c) acha que você anda muito depressa.
d) você tem uma malha no collant.

2. Pouco antes da hora do jantar alguém afirma que lhe apetece um molete. Isso quer dizer que:
a)é disléxico e queria dizer que está louco para comer uma omoleta.
b)quer dar-lhe um beijo na boca.
c)está a convidá-lo para ir a uma padaria comprar um papo-seco.
d)deseja deliciar-se com um cocktail típico da Ribeira.

3. Em pleno Majestic você ouve pedir um cimbalino. O empregado vai trazer à mesa:
a) uma bica.
b) um bolo típico do Porto feito com amêndoas e mel.
c) um chá quente.
d) o jornal do dia.

4. Estão na discoteca Indústria alguém lhe jura que dava tudo para
deliciar-se com uma francesinha. Ou seja, essa pessoa pretende é:
a) convidar a sua prima que é emigrante em Paris para dançar.
b) pedir ao dj para passar uma música francesa.
c) comer uma especialidade do Porto que à primeira vista, mais parece um croque monsieur.
d) dançar com aquela rapariga loura que termina cada frase com "oh! mon Dieu".

5. Antes de entrar na banheira, ele/ela pede-lhe para ligar o cilindro. Você dirige-se ao:

a) esquentador.
b) ferro de passar a roupa.
c) forno.
d) termo-acumulador.

6. Depois de fazerem as malas para uma viagem ele/ela pergunta-lhe se você tem um aloquete. O que ele/ela quer é:

a) um cadeado para fechar um dos sacos.
b) saber se você tem o bilhete de avião.
c) um isqueiro para acender um cigarro.
d) a chave da mala.

7. Depois de uma tarde de muita paixão e sexo intenso, ele/ela diz-lhe

que lhe apetece comer orelhas. Isto quer dizer que:
a) tem um fetiche pelas suas orelhas e você nem tinha percebido.
b) quer que apanhe o cabelo para poder mordiscar-lhe as orelhas.
c) apetece-lhe ir a uma pastelaria comer um "palmier".
d) quer que você vá à cozinha preparar uma saladinha de orelha de porco.

8. Durante uma discussão você nega ter saído sozinho com os amigos. O seu companheiro/a diz-lhe: "bai no Batalha!". O que traduzindo à letra é:

a) "o melhor é ires à Casa Batalha."
b) "isso é tanga."
c) "esta conversa é uma batalha perdida."
d) "vai dar uma volta."

9. Você descobre que o primo dele/a é trolha. Isto é:

a) é bruto.
b) é burro.
c) é parvo.
d) trabalha na construção civil.

10. Em plena Rua de Santa Catarina ele/a dirige-se a uma loja e pede-lhe ajuda para comprar um testo.

a) você ouviu mal e ele está decido a adquirir um cesto.
b) ele procura a tampa de uma panela.
c) você vai ajudá-lo a escolher uma cama.
d) a sua opinião vai ser importante na escolha do tapete para a sala.

11. Ele/ela convida-o para uns lanches. Você:

a) irá lanchar várias vezes com essa pessoa.
b) vai deliciar-se com umas merendinhas fantásticas que ele/ela confeccionou.
c) executará, a meias, um bolo de aniversário.
d) está convidada para lanchar com a mãe dele/a, duas vezes na mesma semana.

12. Ele/ela diz-lhe que não pode ir ter consigo pois está à espera do picheleiro. Quer dizer:

a) está à espera do canalizador.
b) aguarda a chegada do electricista.
c) do andrologista.
d) inventou uma desculpa para não comparecer ao encontro.

13. Estão os dois a confeccionar um jantar romântico. Ele/ela pede-lhe a sertã, você abre o armário e dá-lhe:

a) um funil.
b) o passe-vite.
c) a frigideira.
d) a faca de trinchar.

14. À porta do cinema perguntam-lhe se você tem pasta. A pessoa:

a) pretende lavar os dentes.
b) estará a falar de um qualquer prato italiano?
c) precisa de uns trocos.
d) quer guardar a sua mala de executiva.

15. Quando ouve dizer que fica muito mais giro com repas, estão a falar da:

a) sua roupa interior.
b) pulseira que os seus pais lhe ofereceram.
c) franja.
d) saia.

16. No bar «O Meu Mercedes é Maior que o Teu» ouve pedir um fino. À mesa chegará:

a) uma linguiça assada.
b) uma cigarrilha.
c) um lápis.
d) uma imperial.

17. Depois de uns copos a mais alguém diz que está ourado, ou seja:

a) tem fome.
b) está com tonturas.
c) vai rezar.
d) tem cãibras.

18. Alguém diz que você passa a vida preocupada com as espinhas. Você dá demasiada atenção às:

a) espinhas do peixe.
b) unhas dos pés.
c) borbulhas.
d) fofocas.

19. Você está a ajudar um amigo nas mudanças para a nova casa. De repente, ele diz-lhe que tem de comprar cruzetas. Você acrescenta na lista de compras:

a) molas da roupa.
b) pensos rápidos.
c) cabides.
d) laranjas.

20. No mercado, ele/ela exclama: "mas que linda penca!" Você acha que ele/ela:

a) quer comprar uma couve.
b) acha que o seu nariz é tamanho XL.
c) descobriu um fruto raro e exótico numa das bancas.
d) está a referir-se à vendedora.

21. Ele/ela queixa-se da pisadura que você lhe fez. Ele/ela ainda não esqueceu:

a) a pisadela que você lhe deu.
b) a nódoa negra da noite anterior.
c) o apertão que levou no autocarro.
d) a partida que você lhe pregou.

22. Ele/ela acha que o seu melhor amigo não passa de um azeiteiro. Isto significa que:

a) tem o cabelo oleoso.
b) trabalha num lagar.
c) fez a campanha de publicidade de um azeite de marca.
d) é um bimbo.

23. Dizem-lhe, franzindo o sobrolho "Tens aí uma catota!". Você tem:

a) um resto de comida no dente.
b) um risco de caneta na cara.
c) um macaco no nariz.
d) uma linha pendurada no casaco.

24. A sua tia pede-lhe que coloque o seu primo no pote. Você põe o miúdo:

a) à janela.
b) dentro da banheira.
c) no bacio.
d) a ver televisão.

25. Vão os dois almoçar à Ribeira, à Casa da Filha da Mãe Preta e pedem iscas. Você acha que vai comer:

a) figado.
b) pataniscas.
c) peixinhos da horta.
d) espetada mista.


SOLUÇÕES:

1.d 6.a 11.b 16.d 21.b
2.c 7.c 12.a 17.b 22.d
3.a 8.b 13.c 18.c 23.c
4.c 9.d 14.c 19.c 24.c
5.d 10.b 15.c 20.a 25.b

INTERPRETAÇÂO DO RESULTADO:

A.Mais de 20 pontos: Tripeiro/a nato/a

Você é um homem/mulher do Norte! Não há nada que lhe escape: que ninguém pense em abordá-lo com falinhas mansas sem um cimbalino e uma francesinha na mão! Para si, tudo o que não esteja num raio de cinco quilómetros à volta da Torre dos Clérigos é paisagem. Aprovado com distinção neste teste de Portualidade: já pode ir contando com um convite para ser o rei/rainha da noite de S. João.


B.De 5 a 20 pontos: Portuga acima de tudo.

Você vai ser uma boa surpresa para os seus amigos do Norte! Sabe o suficiente para se dar às mil maravilhas com as gentes desta cidade. Não troca os bês pelos vês nem leva a mal q ue lhe chamem moiro. Trata os amigos do Norte por morcões. De certeza que conhece toda a zona Ribeira, incluindo bares e restaurantes. Com um pouco de esforço, não terá problemas em tornar-se cidadão honorário da Invicta!

C.Menos de 5: Alfacinha de gema, mouro dos sete costados.

“Porto? Fica ali ao pé de Espanha, não é?" Da Invicta você sabe tanto como da Islândia: quase nada, para além do muito pouco que aprendeu na escola. Está na altura de aceitar um convite do um amigo e fazer uma peregrinação cultural ao Porto para experimentar tudo o que de bom esta cidade tem para oferecer. De jardins e exposições no Museu de Serralves à livraria Lello. Do café Majestic aos passeios à beira-rio. Não terá mãos a medir com tantos bons programas. E sobretudo irá conhecer a hospitalidade da gente “daqui onde houve nome Portugal”.

Post de Luís Graça, 04.06.2002 18h54
Fórum Público Cidadania


Aqui vai mais um texto para a lição de hoje sobre o "galaico-português" que ainda hoje se fala em riba Douro. Fonte:

http://eventos.clix.pt/porto2001/roteiro/24071

"José entra no café para tomar o “mata-bicho” (pequeno-almoço). Pede um “molete” (pão) com manteiga e um “cimbalino” (café). À falta de chávenas, a empregada do café serve-lhe o dito numa “malga” (tigela).

"O ambiente está tão agradável que José se instala melhor na sua cadeira, a ver as pessoas que entram e saem do café. Decide pedir um “fino”, desrespeitando as indicações do médico que o proibiu de “apanhar um torcido” (bebedeira), também conhecido por “rosca”, “nassa”, “boroa” ou “moca”.

"O cheirinho a “estrujido” (refogado) invade o lugar e José, que não viu o tempo passar, começa a pensar nos “morfes” (comida) que a ementa lhe reserva para o almoço. Chama de novo a empregada que se aproxima da mesa ainda com o “testo”(tampa) da panela na mão.

"Satisfeito com o repasto servido, e um pouco toldado pelos “finos” que ingeriu, José pede a “dolorosa” (conta) enquanto vasculha os bolsos à procura de “pilim” (dinheiro). A custo, lá encontra duas “breques” (notas) e “bota-as” no balcão.

"Ao sair do estabelecimento, José pisa inadvertidamente a cauda de um “jeco” (cão) que por ali passava e “dá um terno” aparatoso para cima do “boeiro” (sarjeta). “Carago!”, exclama ele ao ver no estado lastimoso em que ficou: “lunetas” (óculos) e “cebola” (relógio) partidos, “coturnos” (meias) rotos...

"Uma desgraça! Nem se salvaram os “tribunais” (sapatos), sujos pelo “betume” (massa vidraceira) espalhado pelo chão. Quando José se levanta repara que todos se estão a rir dele, apontando para o seu “pandeiro”. As calças rasgadas, era só o que faltava. Há quem chame José de “broeiro” e “azeiteiro” (rude). Que culpa tem ele de ser tão distraído?

Webideias"

outro post de LG

sábado, 28 de abril de 2012

A PRONÚNCIA (OU O SOTAQUE)

IDENTIFICAÇÃO:

Este é um dos temas mais sensíveis e polémicos que neste livro podem ser abordados. Não sendo, ao mesmo tempo, uma situação que exija intervenção prioritária (a TSF sempre falou globalmente num bom português), exige-se uma clarificação e a definição de algumas regras:

• Portugal não tem diversidade linguistica. O mirandês é uma excepção. Mas em Espanha as várias línguas são motivo de orgulho e de afirmação cultural. O galego, que é a pronúncia nortenha levada ao extremo, é afirmado pela diferença face ao castelhano...

• Existem em Portugal alguns sotaques (ou pronúncias; são, neste contexto, palavras sinónimas) que têm uma identidade própria - ou seja, são genericamente reconhecíveis;

• Há sotaque quando uma pessoa, de uma determinada região, fala de uma maneira peculiar;

• Não há em Portugal aquilo que se pode considerar uma norma, um sotaque-padrão, até porque também não há nenhuma entidade a fixar esse tipo de critérios (embora se aceite genericamente que o uso que na zona de Coimbra se faz da língua é aquele que mais se aproxima da grafia das palavras; mas não é "consêlho" nem "joêlho" mas sim "conselho" e "joelho"...);

• A TSF, não sendo nesta altura uma rádio de cobertura nacional, assume-se como uma rádio que fala de e para todo o país;

Muitas vezes (quase sempre...) confunde-se sotaque com mau português ou com má dicção. O sotaque das diferentes regiões do país é um elemento de riqueza cultural; o mau português ou a má dicção são de rejeitar! Mas sotaque e má dicção são conceitos assim tão diferentes que possam ser separados de uma forma tão clara?

Não, e por isso é que existe conflitualidade.

O sotaque nortenho/litoral troca os "vês" pelos "bês" Pode ser uma característica idiossincrática dos nortenhos (e não só, também das beiras), mas não é português dizer "binho'; "boita" ou "bitória".

Portanto, os sotaques regionais são desejáveis quando significam uma maneira peculiar de articular os sons mas sem alterar o português (sendo mais uma espécie de "acento regional"): "binho" será "ruído" para os ouvintes que articulam a palavra correctamente, enquanto que vinho será compreensível para todos, mesmo para os que dizem "binho".

Pode dizer-se, em resumo, que quem fala na rádio deve mudar a maneira de falar se isso significar a procura do português correcto.

ESTILO TSF:

Imaginemos uma rádio local do Alentejo, onde todos os jornalistas e animadores são do Porto! Os ouvintes seriam os primeiros a estranhar e a não conseguirem criar emparia com aquilo que ouviam. É natural que uma rádio do Alentejo tenha sotaque... alentejano. Mas seja do Alentejo, do Porto ou de Angola é preciso respeitar sempre a pronúncia correcta do português. Qual é a pronúncia correcta do português? Aquela que segue a morfologia consagrada nos dicionários.

Na TSF é esse o princípio que procuramos seguir.

O sotaque não se revela ou depende apenas da dicção das palavras, mas também das entoações, modulações e, mesmo, ritmos. E esses, desde que não sejam demasiado marcados (isto é, não causem "ruído"), acabam por enriquecer a antena.

Torna-se, assim, difícil encontrar um sotaque-padrão. Será necessário? Talvez a TSF se reveja na pronúncia média do português culto de qualquer região do país.

NOTA SUPLEMENTAR:

O sotaque identifica a origem regional, a classe social e até a raça de quem fala. É importante, sem dúvida. E é por causa disso que algumas pessoas têm contestado em Portugal a supremacia de uma pronúncia (neste caso oriunda de Lisboa) sobre as outras, por influência dos meios de comunicação social áudio e visuais, que têm as estruturas mais pesadas na capital.

Na comunicação da rádio, o "lisboês" ou o transmontano têm a mesma legitimidade, desde que se mantenham as regras de respeito pelo português e pela dicção.

É perfeitamente normal que quem fala na rádio e na televisão se preocupe com a forma de falar. O que já não é normal é que apenas os jornalistas/animadores fora de Lisboa (ou será "L'sboa?" Como "coâlho" em vez de "coelho" ou "joâlho" para "joelho") sintam a necessidade de controlar o sotaque ...

OUTRAS PERGUNTAS:

Os "bês" pelos "vês" devem ser reprimidos de igual forma?

Não. A localização da letra em cada palavra é muito importante e faz a diferença. Um "v" trocado no início pode ter um efeito devastador no ouvinte. "É berdade". Mas um "v" trocado a meio passa mais despercebido, sobretudo quando não está na sílaba tónica e vai menos enfatizado. "É um objectibo"...

E um brasileiro trabalhar na TSF?

Poderia, até, não causar "ruído", mas certamente provocaria a incomodidade do ouvinte, habituado a um padrão linguístico bastante diferente. O português do Brasil é, além disso, bastante mais do que um sotaque: há entoações, termos, construções e sintaxes bastante diferentes - como se percebe, até, por algumas das citações deste livro...

(A pergunta sugere um brasileiro por ser um caso extremo de sotaque, mas valeria o mesmo para qualquer estrangeiro que, falando português correcto, tivesse um registo linguistico bastante diferente - o ouvinte ficaria mais atento à sua voz do que ao conteúdo das notícias).

Faz sentido falar em níveis diferentes de sotaque?

Há quem defenda que um repórter (um correspondente?), por estar no local do acontecimento, pode ter um sotaque mais acentuado (mais próximo da comunidade), mas que o editor, que faz o noticiário, deve ser neutro.

À luz dos conceitos já aqui defendidos, entende-se que a existência de diferentes níveis não faz sentido: é indiferente quem tem ou quem não tem sotaque, desde que não altere a língua portuguesa.

Um repórter da TSF em Évora não tem de ter necessariamente sotaque alentejano, mas se o tiver pode também desempenhar as funções de editor.

Como lidar com linguagens "afectadas"?

Algumas pessoas, geralmente identificadas com as "colunas sociais", gostam de articular o português de uma forma tão marcada, que se pode considerar um sotaque. Se atraiçoa a gramática e a morfologia da língua já se sabe o que fazer; se não, se é apenas uma artificialização, é de rejeitar igualmente, porque demonstra falta de naturalidade e remete para uma simulação e algum (muito?) pretensiosismo. A fácil caricaturizaçáo desta linguagem afectada é o melhor exemplo de como deve ser rejeitada.

-- capitulo retirado do livro de Estilo da TSF - Rádio Jornal editado em livro pela Editorial Jornal de Notícias - 2003

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Ténis e vitorinos ou como se trata o português com os pés

Quase estive tentado a começar esta crónica por "aqui há atrasado …". Mas meti travão à caneta, reflecti durante uns segundos franzindo ligeiramente o sobrolho, que é a expressão natural de quem reflecte, mergulhei outra vez na folha em branco, e o resultado acabou por ser este que o estimado leitor tem à sua disposição até ao ponto final que se segue.

"Aqui há atrasado" é uma mui tripeira maneira de dar início a uma história. É uma espécie de "aqui há uns tempos" dos portuenses, usado, com frequência, para descrever acontecimentos passados, mais ou menos remotos. É uma expressão áspera que não utilizo e a que nunca me consegui habituar, apesar dos meus amigos, sobretudo os que não são do Porto, me dizerem com alguma frequência que, volta e meia, lá me escapa uma alocução carregada de sotaque nortenho.

Para esta crónica abro uma excepção.
Aqui há atrasado, ainda eu dava os primeiros passos nesta nobre profissão de jornalista nas ondas hertzianas da Rádio Renascença, o meu chefe de redacção chamou-me ao seu gabinete, com um ar de poucos amigos. Tinha acabado de escutar uma notícia minha que iria ter desenvolvimentos importantes dois dias depois. Na minha prosa, escrevi e li que o assunto voltaria à antena "além de amanhã". O homem ficou estarrecido:

- "Além de amanhã?!? Mas que porra é esta de além de amanhã?"

Julguei que estava a brincar, que era mais uma daquelas partidas que se pregam aos novatos nas redacções, quando os colegas mais velhos combinam com o chefe lixar a cabeça ao caloiro. Mas a verdade é que o chefe, como toda a gente sabe, não brinca em serviço, e também o meu não estava para brincadeiras. Que além de amanhã não existe, que isto não é português que se apresente, que aquilo que eu devia ter dito era "depois de amanhã". Caramba! Chefe é chefe, mas a verdade é que não me dei por vencido e, às escondidas, iniciei um inquérito interno, desde a senhora da limpeza até aos colegas jornalistas. Nenhum tinha ouvido nunca a expressão "além de amanhã"; alguns, assim de repente, nem lhe vislumbravam o sentido. No ar, e na minha cabeça, pairava já um certo clima de complô, não sei se me faço entender. Insisti, em horário pós-laboral, junto dos meus colegas de faculdade. Nada. Ninguém chegava lá. Já a entrar em desespero levei o assunto ao meu professor de gramática, mestre na arte de bem falar o português. E fez-se luz. "Além de amanhã" é um regionalismo que, à semelhança do "aqui há atrasado" do Porto, tem as suas fronteiras na minha zona de proveniência, a bela (perdoem-me a imodéstia) cidade de Aveiro.

É assim a língua portuguesa. Rica como poucas, traiçoeira às vezes, fortemente influenciada pelas suas diferenças regionais, por séculos de permanência nas sete partidas do mundo e, claro, pelos media, que escancaram as portas ao exterior, sobretudo aos países anglo-saxónicos.

E é aqui, ao nível da comunicação global, sobretudo a que nos chega através da televisão, que se recomendam cautelas. Porque se, como alguns defendem, não cabe às televisões educar as pessoas (e essa é outra discussão), cabe-lhes pelo menos a tarefa de não as deseducar e de preservar um bem comum:
A língua portuguesa.

Não sou daqueles puristas que acham que na língua não se mexe, nada de acordos ortográficos, nada de introdução de novas expressões, algumas delas de origem estrangeira. O português, como qualquer outro idioma, não é estático, como se prova de leitura de "Os Lusíadas" ou de "Os Maias". Mas também não se pode dar à língua tudo o que vem à "net" ou à rede telefónica.

A explosão dos telemóveis, entre os mais jovens, está a criar novos códigos de comunicação oral e escrita. As mensagens SMS, trocadas nos intervalos das aulas dos liceus portugueses, tantas vezes com os mensageiros a escassos metros de distância dos seus interlocutores, são autênticos códigos secretos, indecifráveis mesmo para os melhores espiões de qualquer exército moderno. Muitas dessas mensagens passam nos rodapés das televisões portuguesas, sobretudo no cabo, mas também em certos programas das generalistas de sinal aberto, como é o caso do "Domingo é Domingo", da televisão pública, de todas a que mais atenção devia prestar à língua-mãe.

Por parte dos programadores há uma certa complacência em relação ao uso do português, que vai do pormenor das mensagens escritas ao recurso a expressões tipicamente lisboetas, de onde parte quase tudo o que é emitido nas nossas televisões.

Num anúncio recente da TV-Cabo a apresentadora explica-nos a utilização de um aparelho remetendo-nos para uma "tecla encarnada", que por acaso é vermelha em todo o país excepto em Lisboa. Também é frequente ouvir falar dos "ténis" que, como toda a gente sabe, é um desporto muito popular, disputado com equipamento específico onde não podem faltar as indispensáveis sapatilhas.

Fosse eu para a televisão dizer que a venda de "chussos" aumentou exponencialmente no último Inverno por causa das fortes chuvadas ou que o negócio dos "vitorinos", em S.João da Madeira, está a caír devido à concorrência dos países asiáticos, e sempre queria ver as reacções.

E olha se eu tinha começado esta crónica por "aqui há atrasado …"!!!

Carlos Rico, SIC Online , 11/09/2003

GLOSSÁRIO:

Chusso – Guarda-chuva
Vitorinos - Sapatos

domingo, 20 de novembro de 2011

Falar à moda do Porto

Sabe o que é um ICC? o equivalente, em portuense, de VIP (Very Important Person): Importante Cum'ó Carago!" Esta é uma das anedotas que se contam a propósito da forma como falam os habitantes do Porto que, ao contrário de gentes de outros lugares, mantêm a boa disposição e o sentido de humor, apreciando e contando anedotas que lhes dizem respeito.

Algo muito particular

Que se desenganem os portugueses do Centro e do Sul se julgam que é possível juntar-se o modo de falar nortenho num só saco. Falar de sotaque do Norte não é falar de sotaque do Porto. E não só de sotaque se pode falar. No Porto o sotaque sem os termos não faz sentido. Aqui usam-se palavras próprias e curiosas como morcão, cimbalino ou andrade num linguajar despachado que só entende quem sabe. O sotaque do Porto não é só um sotaque, é um tom de voz muito típico acompanhado de termos também muito típicos e, muitas vezes, capazes de ferir os ouvidos mais susceptíveis. Muito marcado e muito característico, o modo de falar do Porto diferencia-se totalmente do modo de falar de outras regiões nortenhas como a Beira ou Trás-os-Montes, entre muitas outras. Quase que se poderia dizer que a acompanhá-lo existe toda uma forma de estar na vida.

Entre o calão e o linguajar das gentes

É comum ouvir-se dizer que no Porto se fala especialmente mal. Mal não no sentido da construção de frases ou da utilização de verbos mas naquilo que vulgarmente se costuma dizer falar mal. Utilizam-se os palavrões mais carregados com o maior dos à-vontades, sendo até comum ouvi-los saídos das bocas das mais angélicas criancinhas. Este é um fenómeno que pode observar-se sobretudo nalguns bairros mais típicos como é, por exemplo, a Ribeira. Não que noutras zonas do país se fale melhor ou com menor utilização de impropérios, mas o facto é que desta fama não se livra a Invicta, o que até lhe dá alguma graça e colorido. Num pequeno artigo que escreveu a propósito, Arnaldo Saraiva consegue transmitir bem aquilo que é falar-se à moda do Porto, não só pela "ditongação crescente do E e do O fechados, nem pela troca dos bês pelos vês e do ou pelo ão, nem pela abertura de algumas vogais, nem por uma gutural pronúncia..." mas também por um léxico especial que integra um enorme à-vontade no uso e abuso da língua portuguesa sem olhar a distinções de sexo ou de idade. "Na primeira manhã que passei no Porto não resisti ao apelo que sempre me vem dos rios ou das margens. (...) Eu já ouvira falar do mercado da Ribeira mas não o imaginava assim...avancei como pude, aos ziguezagues sem poder evitar pisadelas e cotoveladas, maus cheiros e poças de água. E estava junto de uma pequena banca de laranjas à guarda de uma menina de uns dez anos quando passou um garoto que parecia saído do Aniki Bóbó, do filme que o bar ainda não existia, e deitou sem querer duas ou três laranjas ao chão. A menina apanhou logo uma e ameaçou atirá-la à cabeça do gaiato enquanto gritava alto e bom som: - Olha que te fuado! Olha que te fuado! Esta cena bastou para me fazer ver a força do sotaque do Porto que extensamente apreciaria em conversas ou gritos ouvidos nos jardins da Cordoaria ou no Bulhão ou no

Estádio das Antas ou nas ruas."

Há umas décadas atrás, um lisboeta desprevenido que se passeasse por qualquer bairro portuense ficaria estupefacto e atónito com o sotaque e o linguajar carregados das conversas ouvidas na rua. Hoje em dia, numa época de globalização, embora o sotaque do Porto continue inconfundível, tende um pouco a suavizar-se e quem queira ter acesso ao espectáculo único que é ouvir a gíria portuense em todo o seu esplendor, terá de se deslocar a um dos bairros mais típicos, onde a língua ainda é utilizada com toda a sua pujança.

Sofia Prazeres / Correio da Manhã, 14/01/2001


http://pretextos.weblog.com.pt/arquivo/2005/03/post.html

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Populações vivem entre fronteiras

Já imaginou a confusão que é viver numa terra que pertence a duas ou três freguesias e a diferentes concelhos e distritos? É o que acontece em Sargento-Mor e em Santa Luzia, onde os problemas burocráticos são a maior dor de cabeça.

Fausto Fonseca nasceu e cresceu no concelho da Mealhada, distrito de Aveiro. Actualmente mora no concelho e distrito de Coimbra?na casa em frente à que nasceu e onde ainda vive a sua mãe, Guilhermina. ?Eu vivo na Mealhada e o meu filho em Coimbra. Mas ele vive do outro lado do passeio?, conta a mãe, entre risos.

A situação passa-se em Sargento-Mor. Um lado da estrada pertence à freguesia de Souselas, concelho e distrito de Coimbra. O outro à freguesia de Barcouço, concelho da Mealhada, distrito de Aveiro. ?No feriado municipal de Coimbra fechamos, e do outro lado as lojas estão abertas?, conta António Madeira, residente em Sargento-Mor, que trabalha num escritório na casa de Fausto. A nível de limpeza, explica, é uma confusão, ?porque um lado cabe à Câmara Municipal de Coimbra e o outro à da Mealhada?.

Mais à frente, em Santa Luzia, a complicação é maior. A localidade pertence às freguesias de Souselas (concelho de Coimbra), Barcouço e Casal Comba (ambas do concelho da Mealhada). ?Isto é grande para pertencer a três freguesias?, graceja Fernanda Simões, que trabalha na confeitaria Doce Fruta, pertencente a Barcouço. Em frente, Alberto Jorge, reformado, vive há 40 anos em Santa Luzia, do lado de Souselas, e entende a divisão como um problema a vários níveis. E dá o exemplo dos correios. ?Somos abastecidos pelo correio de Barcouço, e tive problemas com a Caixa de Aposentações, que queria despachar a reforma da minha mulher para Aveiro. No código postal tem de se pôr Barcouço, porque senão demora mais tempo?, conta.

O saneamento é outro problema, sendo que a rede só passa pelo outro lado da estrada, da responsabilidade da Câmara Municipal da Mealhada. ?Aqui não temos saneamento?, reclama. Mesmo o abastecimento de água só é uma realidade há cerca de uma década, quando fizeram a ligação da Mealhada, Carqueijo, Barcouço e Sargento-Mor. ?Estou no concelho de Coimbra e pago a água à Mealhada?, brinca Alberto Jorge.

Uns metros à frente da casa de Alberto está a Iberplanta, empresa especializada em arranjos florais, e que já pertence à freguesia de Casal Comba. “Estamos ao lado de Barcouço e pertencemos a uma freguesia que fica a sete ou oito quilómetros daqui”, critica Carlos Figueiredo, proprietário da empresa. Acrescenta nem sequer conhecer o presidente da Junta de Freguesia de Casal Comba. “Nem sei onde fica”, afirma.

O presidente da Junta de Freguesia de Souselas, João Pardal, entende que a divisão administrativa de Sargento-Mor e Santa Luzia ?não é saudável para ninguém?, e afirma procurar uma articulação melhor entre as autarquias de Coimbra e Mealhada. ?Já falámos com os presidentes da Câmara Municipal de Coimbra e da Junta de Freguesia de Barcouço, e já houve contactos com o autarca da Mealhada para uma reunião conjunta, de forma a responder às necessidades dos munícipes?, revela.

Delfim Martins, autarca de Barcouço, entende que toda a população da zona sofre. “Vamos trabalhando, cada um fazendo o que lhe compete”, assegura. Lembra ainda o caso da fonte de Sargento-Mor, que pertence a Barcouço, “mas que abastece toda a localidade, sem olharmos para o lado a que o estamos a fazer”.

O presidente da Junta de Freguesia de Casal Comba, Manuel Cardoso, congratula-se com o “óptimo relacionamento” com a congénere de Barcouço, “que tem tratado bem da parte que nos pertence. Os prejuízos e as contestações têm sido colmatados com estas boas relações”, defende.

João Pedro Campos, Jornal de Notícias, 07/09/2010

sábado, 28 de maio de 2011

Mestre Alentejano

MESTRE ALENTEJANO

Terra de grandes barrigas,
Onde há tanta gente gorda,
Às sopas chamam açorda
E à açorda chamam-lhe migas;
Às razões chamam cantigas,
Milhaduras são gorjetas,
Maleitas dizem maletas,
Em vez de encostas, chapadas,
Em vez de açoites, nalgadas
E as bolotas são boletas.

Continua:

Terra mole é atasquêro,
Ir embora é abalári,
Deitar fora é aventári,
Fita de couro é apero;
Vaso com planta é cravêro,
Carpinteiro é abegão,
A choupana é cabanão
E às hortas chamam hortejos
Os cestos são cabanejos
E ao trigo chama-se pão.

No resto de Portugáli
Ninguém diz palavras tais;
As terras baixas são vais
Monte de feno é frascáli
Vestir bem parece máli
À aveia chamam cevada
Ao bofetão orelhada
Alcofa grande é gorpelha
Égua lazã é vermelha
Poldra “isabel” é melada.

Quando um tipo está doente
Logo dizem que está morto.
A todo o vau chamam porto
Chamam gajo a toda a gente
Vestir safões é corrente
Por acaso é por adrego,
Ao saco chamam talego
E, até nas classes mais ricas
Ser janota é ser maricas
Ser beirão é ser galego.

Os porcos medem-se às varas,
O peixe vende-se aos quilos
E a gente pasma de ouvi-los
Usar maneiras tão raras;
Chamam relvas às searas
Às vezes, não sei porquê
E tratam por vomecê
Pessoas a quem venero;
“não quero” dizem “na quero”
“eu não sei” dizem “ê nã sê”!

Letra de J. De Vasconcelos e Sá

Rosa Branca - António Pinto Basto (1989)

DITOS DO ALENTEJO OU MESTRE ALENTEJANO (II)

Assim já cantei um dia
Pois no Alentejo nasci
Ali amei e sofri
E ao meu povo eu entendia
Pastel de grão é azevia
Massa frita é brinhol
Piolho cata-se ao sol
À lenha chamam molheta
O zangado diz punheta
Sapateiro usa serol

A frigideira é sartém
Uma tigela plangana
Mulher de graça é magana
Falar mal é coisa vã
Cama de molas divã
E quem dança está balhando
Chover pouco é muginando
A gasosa é um pirulito
Qualquer cão é um canito
Chorar baixo é chomingando

Ao leite chamam-lhe lête
Um bacio é um penico
Um desmaio é um fanico
Um canteiro é alegrete
O soutien é um colete
Do pão dur(o) fazem-se migas
São saias quaisquer cantigas
Grão cozido é gravançada
Qualquer pessoa é coitada
E as amantes são amigas

Emprestar é repassar
Mentiroso é trapacêro
Amolador é um gatêro
Ir a mondar é escardar
Chatear é amolar
Do pobre diz-se infeliz
A igreja é uma matriz
Cafeteira é choclatêra
Coisa torta é pernêra
E é o povo que assim diz

Um barril é um porrão
E a garagem é cochêra
Chouriço preto é cacholêra
Preguiçoso é lazerão
Homem do campo é ganhão
Chama-se fosso a um val
Almofariz é um gral
Sopas frias é gaspacho
Viver bem é ter um tacho [segundo a autora era VIVE BEM QUEM VIVEU MAL]
E assim fala Portugal

Letra de Rosa Dias
Entre Amigos - José Gonçalez (2003)

Nota: a música é o Fado Corrido nas duas versões. A segunda canção tem a participação de António Pinto Basto que canta a primeira e é neto do autor da letra da primeira das canções.

retirado do blog Um Bolíndri na Tarrafa


sábado, 21 de maio de 2011

Alentejo

PEQUENO DICIONÁRIO DE PALAVRAS ALENTEJANAS

Afossar ou Fossar– Remexer a terra com o focinho, os porcos.

Alqueive – Primeira lavoura feita no pousio.

Anaco – Cabrito de um ano.

Anojo/a– Bezerro/a de um ano.

Arganel – Argola de metal que se mete no focinho dos porcos ou toiros para melhor os dominar.

Argolar – Põr arganel no focinho dos porcos para evitar que fossem.

Arramadas – Casa com manjedouras onde se alimentavam as vacas.

Bolota – Fruto da azinheira utilizado para alimentação dos porcos e, nalguns casos, comestível pelos humanos. Fruto doce, tipo castanha.

Brincar – Colocar os brincos numerados nos animais.

Cangalhas – Instrumento para cargas colocado nos animais.

Canudos – Protecções de cana utilizadas nos dedos durante a ceifa manual para evitar cortes.

Chaparro – Azinheira (Baixo Alentejo).

Charcas – Pequenos lagos artificiais.

Chocalho – Espécie de campainha que se põe no pescoço de alguns animais para anunciar a sua presença, saber a sua localização.

Cocharro – Recipiente de cortiça utilizado para beber.

Desenchapotar – Tirar os paus mais grossos das enchapotas para lenha.

Enchapotas – Ramos finos resultantes da poda da azinheira. Enchocalhar – Pôr chocalho no gado.

Entrouxo – Coisa mal arranjada, torta, desalinhada.

Ferrar – Pôr ferraduras nos cavalos.

Gorpelha – Alcofa grande para carregar palha.

Gravato – Vara comprida, com gancho em ferro, utilizada para apanhar ovelhas pelas patas.

Lande – Fruto do sobreiro, amargo, só para alimentação dos porcos.

Limpeza do montado – Poda do montado.

Malato – Borrego entre um e os dois anos.

Moiral – Guarda do gado, pastor.

Montado - Terreno geralmente povoado de sobreiro e azinheira.

Monte – Herdade. Dentro da herdade o dizer "vou para o monte" é a deslocação para a parte urbana da propriedade.

Mulim – Protecção do pescoço para os animais.

Novilha – Vitela com dois anos.

Paisano – Touro de cobrição.

Pêgos – Poços de água nos percursos de rio que não secam no tempo de estio.

Pousio – Descanso dado a uma terra cultivada.

Prisco – Corredor em rede onde se põem ovelhas para ordenhar.

Safões ou Seifóes – Meias calças largas, feitas de pele, usadas pelos pastores.

Talego – Saco de pano com cordão de fechar.

Talhada – Rojões.

Tarro – Recipiente térmico de cortiça.

Tasneira — Planta esguia, verde, de flor amarela, antigamente usada nos currais e nas arramadas para atrair moscas.

Trazer a rojo – Trazer de rastos.

Trilho – Antiga máquina de debulhar puxada por animais.

Varrasco – Semental, porco macho reprodutor.

Apêndice ao artigo "25 horas num monte alentejano" de Eugénio Pinto, Noticias Magazine de 30/06/2002

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Lisboa e Porto


Lisboa e Porto ou Porto e Lisboa
A estupidez de acicatar ódios

Hesitei em fazer este Dossier Lisboa/Porto (e vice-versa). Com as guerrilhas do futebol, as polémicas da regionalização e todas as desconfianças Norte/Sul em fase de ebulição, poderia parecer que queria deitar mais achas para a fogueira, levar a comparar o número de bancos de jardim, cabinas telefónicas ou túneis, numa guerra surda que não serve a ninguém.

Descobri o Porto há dois anos, exactamente quando assumi a direcção da Notícias Magazine. E há dois anos que vivo fascinada pela 'cidade, pelas ruas estreitas que acabam no rio, com aquela luz tão especial; pelas casas, em pleno centro, com jardins cheios de japoneiras (cameleiras, como eu lhes chamava até aí). Fascinada pelas pessoas, tão prestáveis sem serem subservientes, e dez vezes mais sensíveis do que os lisboetas aos protocolos nas relações; pelos taxistas que pedem desculpa por não ter troco, pelas infinitas lojas — das de "miudezas" às mais modernas, numa multiplicação estonteante de centros comerciais — e pela comida! Sim, eu a conhecida fã de hamburgueres e pizzas, deixo familiares e amigos de boca aberta quando descrevo (dizem eles que com os olhos brilhantes!) os filetes do Aleixo (e a vitela assada, mesmo em tempo de vacas loucas, e o queijo derretido e os sonhos, e...), ou o polvo de Leça ("Polvo? Você?"; "Sim, e enguias!"; Ah...).

Respondo divertida às provocações sobre os Mouros, espanto-me quando me perguntam, por exemplo, porque é que as pessoas em Lisboa almoçam em pé e tenho de confessar que percebo mal o tempo que alguns parecem perder em comparações e ódios, tentando rotular quem lhe está à frente por local de nascimento, julgando perceber-lhe nos pensamentos xenofobias inconfessáveis.

Compreendo que centralismos exagerados (era preciso vir a Lisboa para tudo), provavelmente uma injusta distribuição de verbas e dinheiros, tenham ajudado a acicatar ódios, mas tenho visto muita gente a explorar essa animosidade, provavelmente porque sabem que os fanatismos paralisara neurónios. Já vi muitos oradores que não conseguiam "agarrar" as pessoas para quem falavam, a recorrerem ao discurso anti-Lisboa, como quem toca num botão, que suspeito ter sido geneticamente activado nos tempos em que D. Afonso Henriques apelava às massas para que carregassem sobre os mouros.

Quando sobrevoo Portugal acho sempre que temos imensa sorte. Num País tão pequeno conseguimos meter montanhas, planícies e vales. Se fossemos os mesmos metros quadrados lá para os lados da Alemanha ou da Holanda, não éramos mais do que uma auto-estrada de tamanho médio, com campos de um lado e do outro.

Temos poucos heróis, poucos recursos e, na minha modesta opinião, parece-me estúpido andar a dividi-los em lugar de reforçarmos a nossa identidade, num momento em que ela está de certo modo ameaçada. Não é um sermão de domingo anti-descentralização de poderes ou de dinheiros. É de orgulho.

Se não conhece nenhuma das duas cidades, vá conhecer. Se é de Lisboa vá ao Porto, se é do Porto vá a Lisboa. Se já conhece as duas, gabe-se da sua sorte!

Isabel Stilwell, Notícias Magazine, 15/12/1996

Faço questão de manifestar-lhes a minha total solidariedade quanto ao conteúdo do Editorial sobre A estupidez de acicatar ódios, na Notícias Magazine de 15 de Dezembro. Vivo há muitos anos em Lisboa, e vivi e trabalhei muitos anos no Porto, e repugna-me a baixeza e a miopia de quantos exploram sentimentos positivos de bairrismo e identidade regional para fabricar rancores sem nenhuma razão de ser e enfraquecer a coesão nacional de um País pequeno com uma grande História e projecção mundial como poucos, apesar de um presente complexo mas que não nos envergonha. Parabéns, pois, por esta iniciativa de pôr em paralelo e frente-a-frente as nossas duas cidades de dimensão metropolitana. Aprendi a conhecer e a amar ambas, e não aceito que nos queiram agora dividir com querelas pré-fabricadas e estúpidas.

Resposta do leitor Eugénio Mota, Lisboa

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Dicionário Lisboa / Porto


Dicionário Lisboa / Porto

Nas duas cidades corre a mesma moeda, mas se não é preciso ir ao multibanco trocar dinheiro para "viajar" até Lisboa, ou para fazer compras no Porto, já talvez seja melhor levar este dicionário para se conseguir entender, respectivamente com os Lisboetas/Alfacinhas/Mouros ou os Portuenses/Tripeiros. É que não é só a pronúncia que é diferente.

Exageramos? Então faça o seguinte. Imagine que é de Lisboa e na Invicta alguém lhe pergunta "Ó Morcão, olha a carcela?", o que é que faz? E caso lhe perguntem se lá quer ir brunir para casa, ainda é capaz de achar que lhe estão a fazer uma proposta desonesta. E que tal se lhe chamarem milongas porque não trouxe a loura que lhe tinham pedido?

Está-se a rir? E se um nortenho for a Lisboa e por lá o mandarem por o cadeado na porta, podar as hortênsias e no fim lhe oferecerem, de recompensa, uma carcaça! Embora a predominância do lisboeta na televisão e na rádio torne talvez o jogo mais fácil aos do Norte, a verdade é que também não se podem dar ao luxo de viajar sem dicionário. Por isso aqui fica uma pequena amostra. As palavras da Direita são à moda de Lisboa, as da esquerda as que lhe correspondem à moda do Porto.

Notícias Magazine (Dossier Lisboa-Porto)

Achei graça ao Dicionário, e revivi o meu período "tripeiro", mas como se trata de uma área que sempre me interessou de maneira particular, sou mais crítico em relação àquilo que considero deslizes, e espanto-me um pouco com dois erros algo excessivos: não é possível ignorar que o equivalente da "dobrada" lisboeta sejam as "tripas" (alcunhadas em Lisboa como dobrada à moda do Porto, a feijoada é outra coisa), e por outro lado "Meio Dia" não é nem nunca foi "A meia" no Porto. Há aqui uma confusão: no Porto "à meia hora" é o equivalente de "ao meio dia e meia hora" ou "à meia noite e meia hora", como se diz em quase todo o País. E aponto outras incorrecções, embora menores: em Lisboa, quase ninguém diz "guarda-chuva", diz-se "chapéu-de-chuva"; no Porto, ninguém diz "chapéu-de-chuva", todos dizem "guarda-chuva", às vezes "chusso", em jeito de calão.

Palerma, além do "morcão" mais forte, tem também outro mais comum e engraçado — o "lorpa". Quanto à oposição "saloio/ parolo" é ao contrário do que vem no vosso vocabulário: "saloio" provém só da região de Lisboa. Se, agora, alguns usam "parolo" é por influência nortenha; "parolo" é totalmente de origem nortenha e portuense, se alguns hoje dizem "saloio" é por influência da televisão. O equivalente lisboeta de "catraia" é "gaiata", "garina" é um calão muito recente que me parece comum a todo o País. O "prego" sempre se disse em Lisboa também, quando é no prato então também se diz "bitoque". E a curiosa mudança de género apontada no "tasco" é também visível no "barraco" e no "prateleiro". E "capoeira" diz-se "galinheiro".

Resposta do leitor Eugénio Mota, Lisboa

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

mosaicolinguístico'naçom' de falares

Na naçom do Papa do futebol, por mais títulos que o Fê-quê-pê conquiste - pois lampiões e lagartos, além de mouros, também são abéculas -, não há Andrade ou Zobaida que esqueça a figura imortal do Zé do Boné. Na cidade das imagens de Aurélio Paz dos Reis e de Manoel de Oliveira (que aqui se reproduzem) também surgem, uma vez por outra, uns morcões que até parece mesmo que estão a ver passar os ciclistas e outros que bem mereciam que os mandassem ir falar com o D. Pedro. Na Invicta e arredores nem sequer falta quem saiba mandar uns bitaites, mas ninguém seria mais capaz do que Alfredo Mendes para reunir 1735 (!) palavras e expressões de um calão que, mesmo quando se ouve também no resto do País, ao ser pronunciado naquele sotaque inconfundível, garante o popular linguarejar dos tripeiros.

O livro Porto - Naçom de Falares (ed. Âncora) não explica apenas o que é um cimbalino, um molete ou um quartilho, mas também o que significa alheira com bigodes ou cenoura cabeluda, dar corda aos vitorinos ou bater no Siska, ser um dono da estação de S. Bento ou uma foguete estoireiro, andar em mangas de cabelo ou ter boca à Neca Rafael. "Ao longo dos anos", explica-se no preâmbulo, "ao andarilhar pela urbe e zonas arrabaldinas, o autor foi registando na memória, em papelinhos enrolados na algibeira, num guardanapo de papel surripiado no café, os termos mais triviais dos tripeiros."

Bastava ficarmos a perceber o que é estar armado em Zé de Sousa ou quem é que cheira a Custódio, o que significa escada de abrir ou levar um bilhete para já se justificar esta obra. Mas ainda ficamos a saber quem foi o Duque e quem é o Manuel do Laço, porque ficaram conhecidos o Antoninho da Reboleira e o Basílio de Sousa Noites, a D. Carmén das Almas e a Madalena do Bonjardim, o Carlinhos da Sé e o Toninho dos Pensos, o Feijardo e o Frita Lêndeas, o Chico e o Leão do Palácio, a Mamuda e a Micas-da-Boa, o Mãos de Ferro e o Homem do Sobretudo Amarelo. Isso não interessa a ninguém? Ora, vai no Batalha. E, em jeito de remate de conversa, tim-tim, Carvalhosa!

Fernando Madail, Diário de Noticias, 03/07/2010
http://dn.sapo.pt/gente/interior.aspx?content_id=1609327




http://cslivraria.blogspot.com/2010/07/porto-nacom-de-falares.html

Esta é a mais completa recolha de calões à moda do Porto até hoje reunida em livro. São 1.735 os vocábulos que corporizam o admirável quanto prodigioso falar do Burgo. Um património ainda vivo que anda nas bocas do mundo, contagiando mesmo o mais incensado a pecaminosas faladuras. Porto - Naçom de Falares é considerado um acto de rebeldia contra o cosmopolitismo falsamente progressista e um assomo de autenticidade.

Porto Naçom de Falares - Alfredo Mendes / Edição: Âncora Editora

http://www.jornalistas.online.pt/noticia.asp?id=8146&idselect=297&idCanal=297&p=0

Segundo o escritor e investigador Hélder Pacheco, que assina o prefácio, o livro de Alfredo Mendes é habitado por falares bairristas e, nalguns casos, regionais, que representam “a essência da identidade, a personificação da diversidade, a riqueza lexical e a própria estrutura sintáctica da língua portuguesa”.

Os linguajares recolhidos neste trabalho “pressupõem, antes do mais, memória. E, depois, informação obtida a partir das fontes onde se acomodam as variedades locais de um idioma: ouvindo as bibliotecas vivas com mais de oitenta anos ou perscrutando os escritores oito e novecentistas que, no seu tempo, registaram alguns dos termos constantes deste inventário”, ainda de acordo com o prefaciador.

A obra de Alfredo Mendes, jornalista desde 1972, inclui igualmente um subcapítulo com algumas bem conhecidas expressões e locais da cidade do Porto, e uma dezena de histórias testemunhadas pelo próprio, onde a espontaneidade do tipicismo fala mais alto.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Outra Pronúncia

A insistência de um certo humor televisivo lisboeta na exploração das particularidades fonéticas do modo de falar do Porto é eficaz como caricatura, mas tem o inconveniente de apresentar uma visão redutora de um fenómeno extensível a todo o País, e não exclusivo de uma dada região. O facto de ser o Porto a fonte inspiradora da graça a partir dos sons das palavras poderia ter várias explicações de raízes sociológicas, logo a começar pela natural rivalidade entre os dois principais centros urbanos, com passagem pela eterna questão da norma imposta pelo poder.

Fosse o Porto a sede do poder político e dos grandes órgãos de comunicação social difusores daquilo que se supõe ser o modo correcto de falar e, por certo, lá estariam os lisboetas a ser massacrados pelo modo como, por exemplo, acentuam o «u» em final de palavra.

Gil Vicente, no auto pastoril A Visitação, para fazer graça junto do rei imitava o falar das beiras, região onde, na altura, se situava algum do contra-poder à corte situada na capital. Os linguistas e foneticistas costumam relativizar a importância destas questões, e Armando Lacerda, considerado um dos maiores foneticistas da língua portuguesa, duriense assumido, gabava-se em Coimbra, onde dava aulas, de pertencer a uma cidade que tinha honra em guardar o seu sotaque. Ele próprio não fazia qualquer esforço para amenizar os ditongos.

Mais recentemente, Mário Vilela, catedrático da Faculdade de Letras do Porto e um dos grandes especialistas nesta área, fez uma experiência junto do corpo docente da escola, para avaliar até que ponto se verificava ou não, num sector mais culto, um assinalável afastamento dos traços distintivos do característico falar do Porto. O resultado foi elucidativo: a generalidade dos professores naturais do Porto assume com naturalidade que na sua linguagem estão presentes os traços identificadores da fonética portuense. Mário Vilela afirma que esta situação é reveladora da «auto-estima que as pessoas sentem pelos seus modos de ser, viver e falar».

O que distingue o falar do Porto, mais que a maior ou menor criatividade de algumas expressões populares - aliás presente em todo o País - é a fonética. Os órgãos que articulam a fala dos portuenses são rigorosamente iguais aos de qualquer português. Contudo, talvez por influência de réstias de uma língua anterior ao galaico-português, no Porto os «b», por exemplo, são mais fortes e sobrepõem-se aos «v». Daí resulta o «binhu» (vinho), «barãnda» (varanda), «biána» (Viana) ou «bibu» (vivo).

Os ditongos «ão» ou «õe» são muito acentuados e prolongam-se mais que em outras regiões. Para dizer limão, irmão, Bolhão ou cartão, um habitante do Grande Porto pode transformar um dissílabo num trissílabo ao acrescentar um «e» fechado e anasalado no final da palavra. A transcrição fonética permitiria entender este fenómeno em toda a sua extensão, mas não é perceptível pelo comum dos leitores, pelo que nos dispensamos de avançar aqui com um exercício quase académico.

É possível detectar fenómenos semelhantes em palavras como fonte ou morto. Um portuense de Miragaia ou da Sé - áreas onde se mantém com mais força este traço de identidade - acrescentará uma espécie de «u» antes dos «o» fechados de fonte e morto. No limite, uma palavra como ponte quase parecerá «põente», na boca de um residente na Bainharia.

E aqui temos uma outra faceta. Em palavras onde se encontram as palatais «lh», como telha ou palha, teremos «teilha» ou «pailha», como «beiju» para referir «vejo». Estes exemplos ilustram um modo de falar que tem vindo a perder-se, devido à influência normalizadora da televisão e da rádio. Ninguém espere, por isso, chegar ao Porto e tropeçar em portuenses que trocam os «b» pelos «v» e apresentam um sotaque muito cerrado e acentuado. Uma outra particularidade do falar do Porto, e nem sempre entendido para quem chega, é o modo descomplexado e até com sentido majorativo como são utilizadas palavras e expressões que noutros locais são tidos como grandes palavrões. Não é invulgar ouvir uma amigo dizer a outro, dando-lhe uma palmada nas costas: «Anda cá, meu filho da puta...» Tal como não é uma coisa do outro mundo presenciar uma mãe a regalar-se com uma tropelia do filho, chamando-lhe carinhosamente «cabrão do caraças».

Este jeito singular de criar expressões estranhas, com frequência brejeiras, muito explorado nos bairros populares, não tem qualquer carga negativa e constitui, muitas vezes, um factor de socialização. Nas duas caixas inventariamos algumas frases e expressões idiomáticas utilizadas no Porto ou na sua área de influência. Como se vê, há uma preponderância de frases e termos que jamais teriam lugar no baile de debutantes do Clube Portuense. Algumas são inequivocamente do Porto, outras terão sido assimiladas, mas em nenhum lado são ditas como aqui. E é esse modo muito particular de dizer que faz com que se tornem propriedade da comunidade de falantes portuenses.

Texto de VALDEMAR CRUZ, Expresso, 31/10/1998

VOCABULÁRIO:

Aloquete - Cadeado

Azeiteiro - Aquele que vive à custa de prostitutas

Benha - Diz-se repetidas vezes, e é o grito de guerra dos arrumadores de carros para assinalar um lugar vago entre muitos outros disponíveis. É um «beinha» que prosaicamente significa «venha»

Botar - Pôr, deitar

Breca - Cãibra

Burgesso - Aquele que, além de burro, é teimoso

Canalha - Miúdos, catraios

Calcantes - Sapatos

Cimbalino - Café

Carago - Na verdade é caraças o que mais se utiliza para referir de forma metafórica o órgão sexual masculino

Cruzeta - Cabide

Chuço - Guarda-chuva

Estrugido - Refogado

Fino - Cerveja servida a copo

Infusa - Jarro

Moina - Polícia

Molete - Pão, carcaça

Mor - Termo utilizado pelas vendedeiras. Abreviatura de «amor»; forma carinhosa de chamar o cliente

Morcão - Palerma

Perseguida - Órgão sexual da mulher

Sameira - Cápsula de refrigerante

Vagem - Feijão verde

(Apêndice ao artigo de VALDEMAR CRUZ, Expresso, 31/10/1998)


EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS:

Chá de Bico - Clister

Deu-lhe a filoxera - Desmaiou

Dar corda aos vitorinos - Andar rápido, fugir

Dói-me o garfeiro todo - Doem-me os dentes

Estar com os vitorinos encharcados - Estar bêbado

Estar de beiços - estar amuado

Falar ao microfone - O que é suposto Monica Lewinsky ter feito a Clinton e que o Presidente dos EUA alega não ter sido uma relação sexuaL

Foi fazer tijolos - Morreu

Foi medir caixotes - Morreu

Mandar uma traulitada directa à caixa dos fusíveis - Dar um murro nas ventas, quer dizer, no focinho, ou seja, na cabeça

Narizinho de cheiro ou de caticha - Diz-se de alguém que se ofende facilmente

Secou-se-lhe o céu da boca - Morreu

Vai no Batalha - Como quem diz: isso é filme; forma mais prosaica de dizer que é mentira

Vai à postura - Vai até à praça de taxi

Via de serventia - Expressão das mulheres do povo na sua relação com os ginecologistas

(Apêndice ao artigo de VALDEMAR CRUZ, Expresso, 31/10/1998)

http://www.ciberduvidas.com/diversidades.php?rid=1014

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Todas as terras e terrinhas já tem alta definição



Em Abril de 2008, a PT apresentava a sua estratégia de massificação da televisão do futuro. Combinando a inovação, com a criatividade e o humor, a PT escolheu os Gato Fedorento para darem vida à sua campanha e encarnarem o papel de comandantes do futuro. (....)

O mês de Maio foi marcado pelo lançamento do Meo Satélite levando a televisão do futuro a todas as terras e terrinhas de Portugal. Mais uma vez, os Gato Fedorento foram o rosto da campanha.
Algumas frases espalhadas pelo país, dando a conhecer o serviço televisivo PT, foram as seguintes:

- Já dominamos todo o espaço português, meo.

- Todas as terras e terrinhas já tem Alta Definição.

- A alta Definição até chega a terras com nomes dificéis de pronunciar.
- Cum saturno! A Alta Definição já chega a todo o lado.



- Curral das Freiras é uma freguesia portuguesa do concelho de Câmara de Lobos (Madeira)
- Os Biscoitos são uma freguesia portuguesa do concelho da Praia da Vitória (Açores)
- Covelo do Gerês é uma freguesia portuguesa do concelho de Montalegre.
- Moncarapacho é uma freguesia portuguesa do concelho de Olhão

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Trânsito local trânsito vocal


Trânsito local trânsito vocal : sete partituras tipográficas

Jorge dos Reis/Américo Rodrigues
(Luzlinar, 2004)
Gravado ao vivo em Junho de 2003 na Guarda.

Introdução : Mapa topográfico-tipográfico
Partitura um : Uma aldeia é uma aldeia é uma aldeia, lhe lhas Valhelhas, Seixo Amarelo, Cavadoude
Partitura dois : Dominga feia, Carapito Cairrão, Guarda, Avelãs da Ribeira de Ambom, Aldeia Nova Ruiva
Partitura três : Rio Diz, vale Vela vila
Partitura quatro : Pousade, Pousadinhas, Vila Mendo Soeiro, Ima, Amial, Trinta Galegos Gagos
Partitura cinco : Aldeia do Bispo Viçosa, Ramela, Monte Soito Montes Monteiros
Partitura seis : Meios, Chãos, Faia, Toito, Cubo Gata gare
Partitura sete : Riba Côa, Guarda, praça forte, fria, vigilante, estrela.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Boz da Boxx


A voz da Voxx

[Verdadeiro homem dos sete ofícios, Miguel Bacelar tornou-se popular com a pronúncia tripeira dos «jingles» da Rádio Voxx, mas não larga o futebol e a animação nocturna]

«Voxx: as audiências não mentem; Voxx, um megafenómeno de impopularidade»; «Voxx: uma rádio com inbeja»; «Voxx: emissora caótica portuguesa»; «Voxx: não confundir a obra-prima do mestre com a prima do mestre-de-obras».

Estes são alguns dos muitos «jingles» da Voxx, a mais alternativa de todas as rádios portuguesas. Se o seu conteúdo já chama a atenção, a curiosidade aumenta quando lhe é associado um forte e cerrado sotaque do Porto. Miguel Bacelar é a «Boz da Boxx» e é, cada vez menos, um fenómeno de impopularidade.

Este portuense identifica-se com todos os «jingles» que lê e que são emitidos seis vezes por hora, 24 horas por dia, na rádio que tem programas com nomes como «Refogado e hortelã», «O homem que mordeu o homem que mordeu o cão», «Os pedreiros levantam-se às sete», «Bacalhau com batatas e grelinhos da horta» e o mais conhecido de todos, «A amante do gerente comercial». Aos 41 anos, além do seu trabalho na Voxx, Miguel Bacelar é Hospitality Coordinator («Hoco») da UEFA e relações públicas da discoteca Mau Mau, no Porto.

(...)

Acha que não sabe representar mas já teve curtas passagens pela televisão e pelo cinema, nomeadamente alguns papéis menores em séries e filmes portugueses, de onde se destaca a obra de Manoel de Oliveira "Inquietudes". E é na televisão que se prepara para uma nova aventura: vai integrar o painel do programa da SIC «Noites Marcianas», onde abordará, todas as sextas-feiras, temas relacionados com o que se vai passando nos espaços de animação das noites portuguesas.

Já na Rádio, «tudo começou com um projecto da Rádio Energia a convite do Miguel Quintão e do Nuno Santos, que me desafiaram para dar voz aquela estação. Só que tudo se dissolveu antes de eu começar e nada se chegou a concretizar. Mas a ideia ficou», contou ele. Bacelar participou várias vezes no programa «Copo a Copo», da Antena 3 e, embora não se considere um profissional da Rádio, não ficou surpreendido quando o seu amigo Ricardo Casimiro o convidou para dar voz à Voxx (frequência de 91.6, em Lisboa, e de 90.0, no Porto), que ainda só emitia em Lisboa. Apesar de os textos serem feitos pelo director da estação, Ricardo Casimiro, a leitura e a interpretação estão a cargo de Miguel Bacelar, que também dá ideias para alguns «jingles». «O sotaque, naturalmente exagerado, serviu para marcar a diferença, para chamar a atenção. Se fosse um sotaque lisboeta, caia logo no esquecimento», comenta.

Todavia, nenhum deles tinha a noção da dimensão que aquilo, que a princípio não passava de uma brincadeira feita num só estúdio com a ajuda de um computador, iria atingir. «Nenhum de nós tinha noção da dimensão da coisa. Só para se ter uma ideia, comecei por gravar um 'jingle' de dois em dois meses e, agora, a cada quatro ou cinco dias gravo alguns 20!», diz o locutor. E acrescenta que «a brincar a brincar vamos dizendo algumas verdades e não é por acaso que a Voxx tem tanta audiência e tanta gente a incentivar-nos, tanto por fax como por 'e-mail'».

Sobre as grandes audiências que a sua estação favorita já conquistou, Miguel Bacelar acha que o humor, a liberdade criativa e o facto de não terem «play list» são os grandes factores para o crescimento da rádio, hoje já com três estúdios. Quanto ao papel da concorrência, fala com um humor sarcástico sobre os vizinhos do primeiro andar, a Rádio Comercial: «Agora já somos uma Rádio a sério e os pintas da concorrência, que são os mais ouvidos no planeta, estarão sempre abaixo de nós, quanto mais não seja porque eles estão no primeiro piso e nós no segundo.» E acrescenta; «Mas respeitamos sempre os pisos inferiores. Eles acham que têm a melhor música de todas as estações, mas como achamos que há mais apeadeiros do que estações em Portugal, consideramos ter a melhor música de todos os apeadeiros.» Ou não se considerassem eles «a melhor rádio cá do prédio».

Para este empresário nocturno, a Voxx assume um tom crítico na sociedade de hoje. «O nosso próximo passo é institucionalizar o Partido do Agasalho. Já que há tanta gente a 'agasalhar' neste país, ou seja, a meter ao bolso, ao menos que se faça ordenadamente e com método. Por isso, propomos um sistema rotativo por ordem alfabética, o único modo de chegar a todos», diz com ironia.

Não recebe qualquer ordenado como locutor, «apesar da insistência do Ricardo», como faz questão de dizer. Só que os «jingles» fizeram-no famoso em «termos audíveis» em todo o país, e isso abriu-lhe outras portas. Da Voxx à publicidade radiofónica foi um instante e daí à televisão também não demorou muito. Ficou mais conhecido nas ruas mas ainda não é uma super-estrela. «Mesmo assim, um dia um senhor que tinha uma carro igual ao que eu publicitava no anúncio fez questão de me pagar um café. Fiquei embaraçado mas tive que aceitar», conta a voz da «única rádio que, sendo serviço público, não vive à pala do orçamento».

Miguel Bacelar tem uma estreita relação com o Porto. «Adoro a minha cidade e tenho pena de não poder participar nela de modo mais activo. Tenho muitas ideias mas não sei a quem as transmitir», conta. Mesmo confessando-se tripeiro de gema, o «Hoco» da UEFA diz gostar muito de Lisboa, cidade onde viveu dois anos quando foi comissário de bordo. Opinião menos favorável tem da Capital Europeia da Cultura, pois «foi tudo feito fora do 'timing' certo e houve pouca publicação. Além disso, tudo o que é feito fora de Lisboa sofre atrasos devido à grande centralização». Talvez por isso já tenha em mente um futuro «jingle» para a rádio e que diz, entre uma gargalhada: «Voxx: Tudo o que é projecto do Norte tem enguiços».

Os poucos tempos livres que tem gosta de os passar junto ao mar. Adora praia e dá-lhe especial gosto ir à Comporta. Afinal «um gajo bronzeado é meio caminho andado...

Texto de Pedro Neves / Expresso, 01/09/2001

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Rosa do Egipto


Os portugueses estão de parabéns pelos nomes que souberam dar às suas freguesias. É a chamada imaginação autárquica. Repare-se: se se fala de corpo humano há um Nariz em Esgueira, umas Ancas em Anadia, umas Canelas em Estarreja, os Colos ficam em Odemira e pode optar-se por uma Cabeça Gorda em Beja ou uma Cabeça Boa em Moncorvo. O Amor é em Leiria, mas os Beijos dão-se em Carregal do Sal, embora a Desejosa seja de Tabuaço. As Porreiras são de Paredes de Coura mas o Vale de Prazeres é no Fundão. Se a Água de Pau de Lagoa (Açores) se vai abaixo, pode ser um Vale de Azares em Celorico da Beira, que é como quem diz Sarilhos Grandes no Montijo ou Sarilhos Pequenos na Moita. A Aldeia das Dez é em Oliveira do Hospital, mas Trinta é na Guarda onde também fica a Pega, que é uma Lapa dos Dinheiros em Seia. Se o Rio Cabrão fica em Arcos de Valdevez, é na Covilhã que o Boidobra. Se o Fiscal de Amares aparece, é melhor chamar o Santo Amador de Moura, senão aparece a Nossa Senhora da Graça dos Degolados em Campo Maior ou o São Sebastião dos Carros em Mértola. Há que fugir do Campo de Víboras em Vimioso ou da Ratoeira em Celorico da Beira. O Algarve é uma telenovela em Olhos d'Água de Albufeira. Os Gémeos são de Celorico de Basto e os Gagos da Guarda, sendo os Cabeçudos de Famalicão e os Calvos de Guimarães, ficando o Sabugal com os Alfaiates. Vá para fora cá dentro é mais fácil em Cuba (Cuba), Navarra que fica em Braga, podendo dar-se uma saltada a França em Chaves, optar pelo Montenegro em Faro, fazer férias na Guadalupe (Graciosa), escolher a Bretanha em Ponta Delgada, ou fazer turismo religioso em Meca que é ali em Alenquer. Perante este quadro, como deve chamar-se o presidente da Associação Nacional de Freguesias? Podem não acreditar mas GENTE garante que o seu nome é mesmo (José Manuel) Rosa do Egipto! Naturalmente!

secção GENTE, Vidas (Expresso), 15/09/2001

coordenação de Pedro Andrade

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Autarcas

José Velhinho Amarelinho (PS), candidato à câmara de Aljezur, e José da Avó (PSD), a votos em Benavente, são exemplos de candidatos às autárquicas cuja originalidade do nome marca de antemão a diferença em relação aos concorrentes.

Um pouco por todo o país, são vários os exemplos de candidatos com peculiaridades no nome, fenómeno comum a todos os partidos e que, inclusive, é também visível em candidaturas independentes.

Bengalinha Pinto (PS), em Viana do Alentejo, tentará destronar a maioria absoluta da CDU no concelho e sem bengalas. Por seu turno, ainda no distrito de Évora, Manuel Condenado (CDU), tentará condenar os adversários à derrota pela quarta e última vez em Vila Viçosa.

Em Moura, no distrito de Beja, José Maria Pós-de-Mina (CDU), procura também o quarto mandato junto dos 14 mil eleitores do concelho. Ainda no distrito alentejano, João Penetra (CDU), tentará "penetrar" no eleitorado de Alvito, que em 2005 deu vitória a um movimento independente.

Em conjunto com frases de campanha e cartazes em todo o país, os nomes mais curiosos de muitos candidatos prendem a atenção dos eleitores em Verão pré-eleições.

No distrito de Setúbal, Joaquim Café Granito (PSD) procura, em Alcácer do Sal, aumentar os votos nos "laranjas", que em 2005 recolheram 9,9 por cento da preferência do eleitorado no concelho. Não muito longe, em Sesimbra, é Augusto Pólvora (CDU) quem tentará fazer explodir os votos para tentar derrotar os candidatos do PS e PSD e repetir a vitória de 2005.

Joaquim Raposo (PS), actual presidente da autarquia da Amadora, que se recandidata este ano pela última vez ao cargo, encabeça uma série de candidatos com apelidos do reino animal, casos de José Manuel Aranha Figueiredo (CDU), cabeça-de-lista em Almeirim, ou António Patinho Pereira (PS), que vai a votos em Serpa.

Manuel Maria Leitão (PS), em Arraiolos, João Grilo, do movimento independente MUDA, no Alandroal, Pedro Pardal (BE), em São João da Madeira, Honorato Robalo (CDU), na Guarda, Filipe Camelo (PS), em Seia, e Irene Barata (PSD), em Vila de Rei, são outros exemplos.

Os nomes originais dos candidatos autárquicos são mais vincados nos desconhecidos do grande público, mas são também alguns os políticos de longo historial com nomes pouco comuns, casos de Fernando Ruas (PSD), autarca de Viseu (cidade das rotundas) e líder da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) ou Rui Rio (PSD), presidente da Câmara Municipal do Porto (cidade do Douro).

Em Mafra, o presidente José Ministro dos Santos (PSD) recandidata-se ao último mandato, por força da lei da limitação de mandatos e talvez um dia ocupe um lugar num governo...

Se Santana Lopes (PSD), em Lisboa, é um nome por demais conhecido do eleitorado português e tentará conquistar a capital a António Costa, já Santinha Lopes (PS), em Mourão, presidente da autarquia, procura em 2009 novo triunfo no concelho alentejano, o que tem menos eleitores do distrito de Évora.

As eleições autárquicas decorrem a 11 de Outubro, sendo eleitos no sufrágio 308 presidentes de câmaras municipais, 308 presidentes de assembleias municipais e 4.260 presidentes de juntas de freguesia.


(Agência Lusa) 19/04/2007

terça-feira, 8 de junho de 2010

Nomes das nossas terras


As terras com nomes mais estranhos de Portugal.

Há lugares e freguesias, em Portugal, com os nomes mais esdrúxulos que se possa imaginar. Sabe onde ficam, por exemplo, Vila Nova do Coito, Vale da Rata ou Vergas? Descubra.

ANGÚSTIAS - Paredes de Coura

CARNE ASSADA - Terrugem - Sintra

BEXIGA - Tomar

CABRÕES - Santo Tirso

DESERTO - Alcoutim

JERUSALÉM DO ROMEU - Mirandela

ORELHUDO - Coimbra

PAITORTO - Mirandela

PÉS ESCALDADOS - Arganil

PICHA - (perto da VENDA DA GAITA ) Pedrógão Grande

PORCA - Ponte de Lima

PURGATÓRIO - Albufeira

QUINTA DE COMICHÃO - Guarda

RIO CABRÃO - Arcos de Valdevez

VALE DA RATA - Viana do Alentejo

VENDA DAS PULGAS - Mafra

VERGAS - Vagos

VILA NOVA DO COITO - Santarém

Sara Vieira, Visão, 07/05/2010



A-da-Gorda (Mafra)
Aguçadoura (Póvoa de Varzim)
Aldeia (S.Pedro do Sul)
Aldeia das Dez (Oliveira do Hospital)
Aliviada (Marco de Canaveses)
Alto do Indio (Sobreda - Almada)
Amor (Leiria)
Anais (Ponte de Lima)
Ancas (Anadia)
Angústias (Paredes de Coura)
Antelas (Oliveira de Frades)
Às Dez (Angra do Heroísmo)
A-Ver-O-Mar (Póvoa de Varzim)
Bacharela (Leiria)
Bagaceira (Calheta)
Baleia (Mafra)
Besteiros (Loulé, Tavira, Paredes)
Bexiga (Tomar)
Bicha (Gondomar)
Bicho (Santo Tirso)
Boidobra (Covilhã)
Buraca (Amadora)
Cabeça do Poço (Vila de Rei)
Cabeças (Tomar)
Cabeçudos (Marvão)
Cabrão (Ponte de Lima)
Cabrões (Santo Tirso)
Cachamuço (S.Pedro do Sul)
Cama Porca (Alhandra)
Campa do Preto (Maia)
Canhoso (Covilhã)
Carne Assada (Terrugem - Sintra)
Carrascas (Alcobaça)
Casais da Besteira (Santarém)
Casal de Água de Todo o Ano (Abrantes)
Casal Jorge Dias (Leiria)
Casal Marmelo (Tomar)
Casal Mil Homens (Leiria)
Catraia do Buraco (Belmonte)
Celadinha (Arouca)
Cemitério (Paços de Ferreira)
Cepos (Arganil)
Chiqueiro (Lousã)
Coina (Barreiro)
Coito (Tomar, Alcoutim, Cinfães, Ferreira do Zêzere, Odemira, Lamego, Tábua)
Colhões (Coimbra)
Colo do Pito (Castro de Aire)
Cornalheira (Meda)
Costas do Cão (Caparica)
Covas da Coina (Seixal)
Coxo (Vila da Praia da Vitória, Oliveira de Azeméis e Felgueiras)
Crucifixo (Tramagal)
Cruz de Pau (Seixal)
Cú de Judas (Faial)
Cuba ( Beja, Porto)
Cunha (Tonda - Tondela)
Deserto (Alcoutim, Coruche e Estremoz)
Dominguizo (Covilhã)
Endiabrada (Aljezur e Odemira)
Esgaravatadouro (Monchique)
Esparrela (Porto de Mós)
Facho (Alcobaça)
Fernandaires (Vila de Rei)
Focinho de Cão (Aljustrel)
Fonte das Eiras (Vila de Rei)
Foros da Catrapona (Seixal)
Ganilhos (Leiria)
Garanhão (Ponte da Barca)
Gulpilhares (Vila Nova de Gaia)
Hospícios (Azeitão)
Imaginário (Caldas da Rainha)
Janarde (Arouca)
Janardo (Caramulo)
Jerusalém do Romeu (Mirandela)
Mal Lavado (Odemira)
Malhada de Meias (Alcochete)
Malhou (Alcanena)
Máquina (Cabeceiras de Basto)
Marrocos (perto do Caramulo)
Massarocas (S.Pedro do Sul)
Mata Cabrões (Ariz, Marco de Canavezes)
Mata Mouros (Vila do Bispo)
Mata Porcas (Lagos e Monchique)
Matacães (Torres Vedras)
Meitriz (Arouca)
Moldes (Arouca)
Monte dos Tesos (Avis)
Namorados (Castro Verde e Mértola)
Olho Cinzeiro (Alcochete)
Orelhudo (Coimbra)
Paitorto (Mirandela)
Paixão (Celorico de Basto e Vieira do Minho)
Paraíso (Vários)
Paredes
Passado (Vila Verde)
Paus (Resende)
Pedaço Mau (Vila Nova de Ourém)
Pedra do Altar (Poença-A-Nova)
Penso (Sernancelhe e Melgaço)
Penteado (Moita)
Pés Escaldados (Arganil)
Pexiligais (Sintra)
Picha (Pedrógão Grande)
Pinhal de Frades (Mafra)
Pobreza (Caminha)
Ponta (Lajes das Flores e Porto Santo)
Porca (Ponte de Lima)
Porreiras (Paredes de Coura)
Pouca Farinha (Santiago do Cacém)
Presa dos Mouros (Lagoa)
Punhete (Valongo)
Purgatório (Albufeira)
Quartos (Vila Verde e Loulé)
Quinta de Comichão (Guarda)
Quinta do Himalaia (Barreiro)
Rabo de Peixe (Açores)
Rabo de Porco (Penela)
Ranholas (Sintra)
Rata (Arruda dos Vinhos, Beja, Castelo de Paiva, Espinho, Maia, Melgaço, Montemor-o-Novo, Santarém, Santiago do Cacém e Tondela)
Rato (Barcelos e e Vila Nova de Famalicão)
Ratoeira (Vila Nova de Cerveira)
Rego do Azar (Ponte de Lima)
Rio Cabrão (Arcos de Valdevez)
Rio Seco dos Marmelos (Ferreira do Alentejo)
Rossas
Rua (na estrada de Aveiro para o Caramulo)
Sampaio (Sesimbra)
Santiago dos Besteiros (arredores do Caramulo)
Sarilhos Pequenos (Moita)
Senhor das Almas (Oliveira do Hospital)
Senhora do Alívio (Baião)
Sítio das Solteiras (Tavira)
Teimosas (Santiago do Cacém)
Terra da Gaja (Lousã)
Tortosendo (Covilhã)
Traseiros (Oliveira de Azeméis)
Vacalouras (Castanheira de Pêra)
Vaginha (Vagos)
Vale Cabrito (Santarém)
Vale Cabrito (Tomar)
Vale da Porca (Macedo de Cavaleiros)
Vale da Rata (Almodôvar - Viana do Alentejo)
Vale de Mortos (Beja)
Vale do Porco (Mogadouro)
Venda da Gaita (Pedrógão Grande)
Venda da Porca (Estremoz)
Venda das Pulgas (Enxara do Bispo - Mafra)
Venda das Raparigas (Benedita - Alcobaça)
Venda dos Pretos (Leiria)
Venda Seca (Sintra)
Vergas (Vagos)
Vila de Punhe (Viana do Castelo)
Vila Nova do Coito (Santarém)
Vilar dos Besteiros (a caminho para o Caramulo)
Vilar dos Prazeres (Ourém)
Vinha da Desgraça (Coruche)
Violência (Paredes de Coura).